CENTENÁRIO

A celebração do centenário de Paulo Emílio, que transcorrerá em 2016, pretende abordar a personalidade do intelectual pelas suas diferentes perspectivas: o político, o escritor, o crítico, o professor.

Na dimensão política será lembrada não apenas a militância da juventude, mas igualmente do intelectual maduro que entendia a produção cultural como uma manifestação política, latu sensu. Nos ensaios de fôlego, na produção jornalística, na ficção derrisória, nunca excluiu a arena política do horizonte.

O escritor sofisticado, amante dos oxímoros, era capaz de lances dramáticos, em que deixava o curso do pensamento em suspenso, enquanto elaborava uma narrativa em paralelo, aparentemente uma digressão, que, no entanto, tinha alvo certo: a conquista da adesão do leitor. Praticou gêneros literários com grande proficiência – texto de combate, artigo de imprensa, ensaio, obra de formação, de respiração compassada, ficção com humor e fina ironia.

Como crítico, além da manifesta destreza na escrita, empregou grandes esforços da investigação dos temas, títulos e cineastas abordados e traçou percursos relativos ao cinema brasileiro, oferecendo diagnósticos que serviram e servem de norte para gerações seguintes.

A docência, a irradiação da personalidade, a ação do professor, melhor dizendo do formador, era atributo natural de Paulo Emílio, que vivia cercado de jovens, na Universidade, na Cinemateca, em sua casa. Seu método era o da sugestão e do engajamento pessoal. Paulo Emílio introduzia comentário pessoal em tudo o que fazia e escrevia, o que dava um sabor especial aos seus escritos, que ganhavam em credibilidade e força de persuasão. Por último, a homenagem não ficaria completa se não abordasse a dimensão física, o carisma, o encanto e a fúria que conviviam nessa personagem.

Iniciativa do Instituto de Políticas Relacionais, da Cinemateca Brasileira e do CINUSP, a homenagem a Paulo Emílio Sales Gomes será composta por mostras cinematográficas, cursos, debates, seminários, e irá irradiar para diversos espaços da cidade de São Paulo, tais como o Itaú Cultural, o CineSESC, o Centro de Pesquisa e Formação do SESC, dando ao público a oportunidade de entrar em contato com a produção de Paulo Emílio, as referências que o cercavam, e seu legado.