8 a 17 de agosto de 2008
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207
São Paulo
80 ANOS DO CHAPLIN-CLUB


VIRAGENS E TINGIMENTOS EM BRAZA DORMIDA

A cópia original em nitrato da qual foi feito o contratipo que hoje é a matriz de copiagem de Braza dormida foi descartada na Cinemateca Brasileira logo após um incêndio que destruiu um dos depósitos de filmes em nitrato da instituição, em novembro de 1982. O ato foi motivado não apenas pelo pânico de que um novo sinistro pudesse ocorrer, mas também pelo hábito histórico, como a quase todos os arquivos do mundo, de descartar nitratos duplicados, ainda que estivessem em estado razoável de conservação.

Desde há muito se sabe que o nitrato, quando guardado em condições adequadas de temperatura e umidade, conserva-se por muito mais tempo que o acetato. Além disso, os originais carregam informações que não são transferidas quando duplicados.

Quando, em 1987, para uma retrospectiva de cinema brasileiro no Centre Georges Pompidou, em Paris, surgiu a oportunidade de se fazer uma cópia com viragens e tingimentos de Braza dormida, dispunha-se de muito poucas anotações - e apenas alguns fotogramas - sobre as tonalidades e as cenas viradas e tingidas do filme. A reconstituição das cores a serem aplicadas às cenas foi estabelecida, na época, por Carlos Roberto de Souza e José Carvalho Motta, através de pesquisa e comparação com outros títulos silenciosos brasileiros em nitrato disponíveis. Enviada pela Embrafilme para a retrospectiva em Paris, a cópia feita extraviou-se após a exibição no Pompidou e nunca mais foi encontrada.

A cópia ora apresentada na II Jornada foi feita sob a supervisão de Luíza Malzoni, técnica do Laboratório de Restauração da Cinemateca Brasileira, a partir das anotações de 1987, aplicando o procedimento criado e desenvolvido por Noël Desmet - da Cinemateca da Bélgica e um dos convidados da I Jornada, em 2007 - que constituI o processo conhecido internacionalmente como DesmetColor.

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