CINEMA SILENCIOSO JAPONÊS
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A CIDADE DO AMOR (AI NO MACHI)
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Japão, 1928, 35mm, branco e preto, 105min
cp: Nikkatsu. d: Tomotaka Tasaka. r: Yoshijiro Yamamoto. fot. Saburo Ysayama. e: Shizue Natsukawa (Teruko), Yutaka Mimasu (Denemon Kikuchi), Bontaro Miyake (Yasuzo Yasui), Shozo Nambu (Jiro Tezuka), Yasushi Yoshii (Keizo Taura), Chieko Itoh (mãe de Teruko), Enji Sato (Juichi Kikuchi).
Uma órfã trabalha anônima na fábrica de seu avô, um industrial que rejeitou os pais da menina. Ela torna-se sua secretária particular e pouco a pouco cativa seu teimoso avô, que iniciara uma busca inútil pelo filho que havia expulsado de casa.
A história é baseada no romance En famille, de Hector Malot, um sucesso do final do século XIX e um clássico da literatura infantil durante décadas. Mas que elementos da novela francesa de 1893 eram úteis no Japão de 1928? Obviamente, a crítica social do romance sobre as condições de trabalho durante o período da industrialização era útil – o filme de crítica social (keko-eiga) estava em voga no Japão da época. Para os propósitos do filme, contudo, a principal personagem – no romance uma jovem de 12 anos que vence enormes perigos e afinal doma o avô cruel – foi rejeitada. No filme, a criança foi substituída por uma jovem sentimental e submissa que se cansa ao menor esforço físico, fica feliz por tirar o pó dos móveis e arrumar flores na sala do avô e reage aos problemas com nervosismo. Os problemas do filme são enfrentados pela outra metade do casal, um rapaz competente. A história de amor, ao lado de alguns números musicais líricos (interpretados ao vivo na época pelo benshi e outros cantores), caracteriza esta elegante produção da Nikkatsu como um moderno filme romântico, e sua riqueza formal é enorme. Este filme pertence ao numeroso grupo de filmes silenciosos japoneses que sobreviveram fora do Japão (neste caso, na Bélgica).
TERRA NATAL (FUJIWARA YOSHIE NO FURUSATO)
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Japão, 1930, 35mm, branco e preto, 86min
cp: Nikkatsu. d: Kenji Mizoguchi. r: Iwao Mori, Bin Kisaragi, Shuichi Hatamoto. df: Tatsuyuki Yokota. es: Yoshikatsu Urashima. e: Yoshie Fujiwara (Yoshio Fujimura), Isamu Kosugi (Higuchi), Heitaro Doi, Hirotoshi Murata (Misao Sato), Shizue Natsukawa (Ayako), Fujiko Hamaguchi (Natsue Omura), Kunio Tamura Taeko Sakuma, Aiko Kozu, Lydia Shapiro.
Mizoguchi foi um dos primeiros a tentar a aventura do “sonoro” com este filme. Para isso, utilizou-se do processo Western Electric, adaptado pela produtora Nikkatsu. Terra natal pode ser visto como um conto moral, tendo o canto lírico como pano de fundo. Mizoguchi narra a trajetória de um talentoso tenor que põe a carreira e o amor em risco, inebriado pela fama. Parcialmente sonoro, a bela voz do tenor é destacada nos trechos sonorizados. A propósito deste filme, no qual o diretor trabalhou pela primeira vez com o ator Yoshie Fujiwara, Mizoguchi dizia: “Muito esforço e pouco resultado. Não se deve fazer coisas com as quais não se está habituado. Nosso engenheiro de som não tinha nenhuma experiência cênica. Quando lhe pedimos que gravasse a voz de um doente acamado, ele recusou-se dizendo que isso era impossível. Ele não se preocupava nem um pouco com a arte”.
POLICIAL (KEISATSUKAN)
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Japão, 1933, 35mm, branco e preto, 121min
cp: Shinko Kinema. d: Tomu Uchida. r: Toshihiko Takeda, Eizo Yamauchi. df: Shoichi Aisaka. e: Isamu Kosugi (Itami), Eiji Nakano (Tetsuo Tomioka), Taisuke Matsumoto (sargento Miyabe), Shizuko Mori (Tazuko), Tamako Katsura (Emiko), Shinobu Araki (comandante Oshima), Kenji Asada (chefe judiciário), Isao Kitaoka (Shinichi), Atsumi Miho (Tamiko), Koju Murata (Yamamura), Ippei Ubukata.
Tomu Uchida retrata com um toque documental a dúvida de um policial sobre o envolvimento de seu amigo de longa data em um crime. O diretor deixou a Nikkatsu e formou com Minoru Murata, Daisuke Ito, Tomotaka Tasaka e outros uma produtora independente. A nova empresa, porém, teve problemas financeiros e durou menos de um ano. Em 1933, Uchida entrou para a Shinko Kinema a fim de continuar trabalhando como diretor. Policial foi seu primeiro filme na produtora. A obra é adaptada de uma peça de teatro homônima que conta a história de um policial que luta contra o Partido Comunista. Como na peça, o filme sugere a atividade política dos gangsters. Embora Uchida tenha feito um dos mais famosos filmes japoneses de esquerda (Ikeru Ningyo/Uma boneca viva, 1929), tinha de fazer filmes como Policial, alinhados com a política nacionalista.
A SEREIA (MUTEKI)
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Japão, 1933, 35mm, branco e preto, 93min
cp: Shinko Kinema. d: Minoru Murata. ar: Jiro Osaragi. df: Junichiro Aoshima. e: Eiji Nakano (Chiyokichi), Akiko Shiga (O-Hana), Ichiro Sugai (Cooper), Nobuo Kosaka (Tomi de Daikanzaka), Josuke Hara, Keiko Ichijo, Sawako Karamatsu, Hirotoshi Murata, Kinko Namiki, Joe Ohara, Koji Oizumi, Kunie Tsushima.
1874. Cooper, um americano que despreza os japoneses, domina o tráfego marítimo na concessão de Yokohama. O jovem Chiyokichi rouba a carteira de Cooper e é apanhado por ele, transformando-se em seu escravo. Um dia, enquanto Cooper está fora, Chiyokichi vai a um bar onde conhece uma bela mulher chamada O-Hana, por quem se apaixona, sem saber que ela é a amante de Cooper.
Minoru Murata tem um papel fundamental na história do cinema japonês nos anos de 1920. A maior parte de seus filmes se perdeu, mas sua habilidade em criar atmosferas pode ser vista neste filme. Baseado na novela de Jiro Osaragi, A sereia evoca a estranha atmosfera de Yokohama na década de 1870, com sua mistura das culturas ocidental e japonesa. Murata era um homem de cultura, que gostava de tentar reconstruir o mundo do teatro e da literatura ocidentais através do cinema. Seus esforços nesse sentido tiveram um papel importante na ocidentalização do cinema japonês no início da década de 1920. Por algum tempo, Murata foi considerado o mestre do gendai geki (drama moderno) juntamente com Kenji Mizoguchi, da produtora Nikkatsu, em Tóquio.
A MARCHA DE TÓQUIO (TOKYO KOSHINKYOKU)
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Japão, 1929, 35mm, branco e preto, 22min
cp: Nikkatsu. d: Kenji Mizoguchi. r: Chiio Kimura, Shuichi Hatamoto, baseado no romance de Kan Kikuchi. df: Tatsuyuki Yokota. e: Shizue Natsukawa (Michiyo/Orie), Koji Shima (Yoshiki Fujimoto), Isamu Kosugi (Yukichi Sakuma), Eiji Takagi (senhor Fujimoto).
Michiyo, órfã desde criança, é obrigada a trabalhar como gueixa por motivos econômicos. Dois jovens, Yoshiki e Sakuma, freqüentadores do local onde trabalha apaixonam-se por ela. O rico senhor Fujimoto, pai de Yoshiki, também se interessa pela jovem. Por um anel, que Michiyo ganhou da mãe ao morrer, o velho Fujimoto reconhece que a gueixa é sua filha.
Mizoguchi fez mais de 40 filmes entre 1922 e 1929 e A marcha de Tóquio teve grande sucesso comercial. O diretor assimilou perfeitamente os códigos ocidentais de direção, assim como os de pintura (no final da adolescência freqüentou, por um curto período, o Instituto Aoibashi, em Tóquio, para estudar pintura européia). Em A marcha de Tóquio, a distância entre as classes sociais é simbolizada por uma quadra de tênis que fica acima de uma área de casas pobres. O filme contém prenúncios de futuras preocupações de Mizoguchi. A câmara se movimenta bastante e os planos são relativamente longos, mas respeitam os princípios básicos do sistema ocidental: um plano geral sempre tem como “complemento” um close, embora a forma desajeitada como são inseridos sugira que já “incomodavam” Mizoguchi, ou que, pelo menos, ele teria preferido manter um certo distanciamento. Os movimentos de câmara são “invisíveis”, integrando-se ao movimento da história.
AMIGOS EM CONFLITO (WASEI KENKA TOMODACHI)
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Japão, 1929, 35mm, branco e preto, 14min
cp: Shochiku. d: Yasujiro Ozu. r: Kogo Noda. df: Hideo Mohara. e: Atsushi Watanabe (Tomekichi), Hisao Yoshitani (Yoshizo), Eiko Takamatsu (Ogen), Ichiro Yuki (Okamura), Tomoko Naniwa.
Dois amigos caminhoneiros convidam uma jovem sem teto para morar com eles e acabam se apaixonando por ela. A jovem, porém, apaixona-se por um estudante do bairro. Os dois amigos querem a felicidade da jovem e permitem o casamento.
O tema da rivalidade entre amigos é conscientemente inspirado nos filmes americanos de camaradagem masculina. A cena final parece ser a primeira manifestação de uma das imagens favoritas de Ozu: o casamento representado pelo casal em lua-de-mel numa viagem de trem. Originalmente o filme tinha 2.114 metros, dos quais restam apenas 393. Esta versão foi restaurada a partir de uma cópia em 9,5mm, que contava a história resumidamente. É a segunda obra mais antiga dos filmes existentes de Yasujiro Ozu.
UM GAROTO SINCERO (TOKKAN KOZO)
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Japão, 1929, 35mm, branco e preto, 14min
cp: Shochiku. d: Yasujiro Ozu. r: Takao Ikeda, baseado no conto Ransom of red chief, de O. Henry. df: Ko Komura. e: Tomio Aoki (Tetsubo), Tatsuo Saito (Bunkichi), Takeshi Ikamoto (patrão).
Tetsubo é raptado quando brinca de esconde-esconde com os amigos. Para que fique quieto, o raptor, Bunkichi dá a ele doces e brinquedos. Mas o garoto é incontrolável e Bunkichi quer devolvê-lo à família. O raptor leva o garoto até seus amiguinhos e ele lhes conta: “Aquele homem lhes comprará tudo que pedirem”. O raptor foge correndo.
Ozu fez várias pequenas comédias como esta no final da década de 1920, a maior parte delas filmada rapidamente – esta, por exemplo, foi filmada em apenas três dias. Obviamente inspirada num conto de O. Henry, esta comédia tornou o menino ator Tomio Aoki tão famoso que ele mudou seu nome para Tokkan Kozo e trabalhou em vários filmes de Ozu na década de 1930. Foi o sexto filme de Ozu lançado em 1929. Esta versão foi restaurada a partir de uma cópia em 9,5mm comercializada para exibições domésticas.
AS FONTES DO ANIME
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A LENDA DO TEMPLO DO CARANGUEJO (KANIMANJI ENGI)
Japão, 1924, 35mm, branco e preto, 11min
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cp: Fukada Shokai Eigabu. d: Hidehiko Okuda, Tomu Uchida, Hakuzan Kimura.
Uma jovem fervorosa constrói um templo budista para venerar os caranguejos que a salvaram de uma serpente, que havia assumido aparência humana.
O cineasta Tomu Uchida, que se especializaria em filmes históricos e dramas sociais, participou da realização deste filme de animação de silhuetas.
UMA HISTÓRIA DO TABACO (KEMURIGUSA MONOGATARI)
Japão, 1924, 35mm, branco e preto, 3min
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d: Noburo Ofuji.
Combinação de filmagens ao vivo e animação de papéis recortados, este filme de Ofuji – o mais antigo a sobreviver – propõe-se a explicar as misteriosas relações entre uma jovem e um cigarro. Não é possível saber se o material é um teste ou o fragmento de uma obra.
LADRÕES DO CASTELO BA-GH-DA (BAGUDAJO NO TOZOKU)
Japão, 1926, 35mm, branco e preto, 14min
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cp: Jiyu Eiga Kenkyujo. d: Noburo Ofuji.
Ofuji utilizou pela primeira vez a técnica chyiogami (um tradicional papel japonês colorido) neste filme inspirado em O ladrão de Bagdá/The thief of Bagdad (Raoul Walsh,1924), estrelado por Douglas Fairbanks. O herói, Dangobei, salva um castelo do ataque de inimigos e casa-se com a princesa.
HISTÓRIA SEM SENTIDO, VOL.1 – A ILHA DO MACACO ver imagem
(NANSENSU MONOGATARI DAI IPPEN: SARUGASHIMA)
Japão, 1930, 35mm, branco e preto, 24min
cp: Nikkatsu Manga Eigabu. ar/r: Hideo Shimizu. d: Kenzo Masaoka.
Salvo de um naufrágio, um bebê é criado por macacos numa ilha do sul do Japão.
Primeiro filme de animação de Masaoka, que estudou pintura no colégio e depois se tornou diretor de longas-metragens nas produtoras Makino e Nikkatsu.
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