JANELA PARA A AMÉRICA LATINA
De vez em quando é preciso lembrar com ênfase que o Brasil faz parte da América Latina não apenas econômica mas também culturalmente. Certas características culturais de nossa realidade encontram pontos de contato notáveis com os de nuestros paises hermanos. O próprio desenvolvimento histórico de nossas cinematografias tem semelhanças que muitas vezes desconhecemos. Por muito tempo se pensou que os chamados “ciclos regionais” – surtos de produção de filmes fora dos grandes centros – da década de 1920 eram um fenômeno típico do cinema brasileiro. Hoje sabemos que isso não é verdade, e O punho de ferro está aqui para comprovar isso: um filme feito num estado mexicano e que na época de sua realização não chegou a ser exibido fora de sua região.
Foi com o objetivo de conhecer semelhanças históricas e estilísticas que abrimos essa “Janela para a América Latina” no seio da Jornada Brasileira de Cinema Silencioso. Anualmente convidaremos pelo menos um filme silencioso latino-americano e o destacaremos dentro da programação. Ao mesmo tempo nos aproximaremos do cinema antigo dos países vizinhos e destacaremos o trabalho desenvolvido por seus arquivos de filmes.
Este ano o destaque é a Filmoteca de la Universidad Nacional Autónoma de México (UNAM), que possui um volumosíssimo acervo e desenvolve excelentes atividades de restauração. Graças ao trabalho da Filmoteca de la UNAM, hoje podemos apreciar O punho de ferro.
O PUNHO DE FERRO (EL PUÑO DE HIERRO)
ver imagem
México, 1927, 35mm, branco e preto, 70min
cp: Centro Cultural Cinematografico S.A. d: Gabriel García Moreno. r: Gabriel García Moreno. df: Manuel Carrillo, Juan D. Vasallo. e: Octavio Valencia (Carlos Hernán), Carlos Villatoro (Antonio), Hortensia Valencia (Laura), Lupe Bonilla (Esther), Manolo de los Ríos (Dr. Anselmo Ortiz/ O Manco), Guillermo Pacheco (Juanito), Manuel Carrillo (Perico), Ignacio Ojeda (O Abutre).
Carlos Hernán, por curiosidade juvenil, toma uma injeção de morfina em um antro de viciados com a ajuda do Abutre. Mais tarde, Laura, sua namorada, o repreende ao flagrá-lo em estado alterado pela droga. O Dr. Anselmo Ortiz dá uma conferência em praça pública sobre os malefícios da dependência de drogas. Durante a palestra, Antonio, assaltante e líder da Quadrilha do Morcego, conhece Esther, com quem marca um encontro. A Quadrilha do Morcego realiza mais um de seus assaltos em uma fazenda da região, de propriedade de Laura. Carlos, sabendo da dupla identidade de Antonio, o convida para entrar no comércio de drogas e a conhecer o antro chefiado pelo Manco. No local, Antonio descobre que Esther trabalha vendendo drogas para os viciados. Laura visita o Dr. Ortiz e pede ajuda para que seu namorado se afaste das drogas. O Dr. Ortiz, interessado em conquistar Laura, a convida para conhecer o antro freqüentado por Carlos. Juanito, um garoto aficionado por histórias policiais, e Perico, empregado da fazenda de Laura, investigam a identidade do líder da Quadrilha do Morcego e acabam descobrindo o antro onde estão Antonio, Carlos e Ester, além de Laura e Dr. Ortiz.
siglas utilizadas