8 a 17 de agosto de 2008
Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207
São Paulo
DESTAQUES DE PORDENONE

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DEPOIS DA MORTE (POSLE SMERTI)   ver imagem
Rússia, 1915, 35mm, branco e preto com viragem e tingimento, 46min

p: A. Chanshonkov. d: Evgenij Bauer. r: Evgenij Bauer, a partir do romance Klara Milich, de Ivan Turgeniev. df: Boris Savelyev. e: Vitold Polonsky (Andrei Bagrov), Olga Rakhmonova (Kapitolina Markovna), Vera Karalli (Zoya Kadmina), M. Chalatova (Mãe de Kadmina), T. Gedevanova (irmã de Zoya), M. Kasazkaya (Princesa Tarskaya), Georgi Azagarov (Tsenin).

Andrei leva uma vida isolada com sua tia, estudando e pensando em sua falecida mãe. Seu amigo Tsenin, preocupado com o estado de Andrei, tenta convencê-lo a acompanhá-lo em eventos sociais. Após ver a performance da atriz Zoya Kadmina, Andrei fica fascinado por ela e é surpreendido ao receber um bilhete da artista, que o convida para um encontro. Após três meses, ele fica chocado com a notícia do suicídio de Zoya. Andrei passa a viver obcecado com sua lembrança e decide que precisa saber tudo sobre ela.


DEVANEIOS (GREZY)    ver imagem
Rússia, 1915, 35mm, branco e preto com viragem e tingimento, 37min

p: A. Chanshonkov. d: Evgenij Bauer. r: M. Bassow, baseado no romance Bruges-la-morte, de Georges Rodenbach. df: Boris Savelyev. e: Alexander Wyrubov (Sergei Nikolaevich Nedelin), F, Werchowzweva (Yelena), Viktor Arens (Solski, um pintor), N. Tschernobajewa (Tina Wlarskaja, uma atriz).

Após a morte de sua esposa Yelena, o inconsolável Sergei fica obcecado com as fotos de sua amada e com uma trança de seus cabelos que guardou como lembrança. Um dia, enquanto anda pelas ruas, ele encontra uma mulher que tem uma impressionante semelhança com Yelena. Ele a segue pelo teatro onde descobre que a mulher, uma atriz chamada Tina, faz parte do elenco de uma ópera. Após a apresentação, Sergei vai até os camarins e logo faz amizade com Tina. No entanto, suas obsessões começam a criar tensões no relacionamento.


OS PROSCRITOS (BERG-EJVIND OCH HANS HUSTRU)    ver imagem
Suécia, 1918, 35mm, branco e preto com viragem e tingimento, 73min

cp: AB Svenska Biografteatern. p: Charles Magnusson. d: Victor Sjöström. r: Victor Sjöström, Sam Ask, baseado na peça de Jóhann Sigurjónsson. df: Julius Jaenzon. e: Victor Sjöström (Ejvind/ Kári), Edith Erastoff (Halla), John Ekman (Arnes), Nils Aréhn (Björn), Jenny Tschernichin-Larsson (Bjarni), Sigurd Wallén.

A ação de Os proscritos é ambientada na Islândia do século XIX. Forçado pela fome a roubar uma ovelha para alimentar sua família, Ejvind, com o falso nome de Kári, foge das autoridades, refugiando-se na fazenda de uma rica viúva, Halla. Os dois acabam se apaixonando. Ele é descoberto e ela decide segui-lo. O casal arruma um esconderijo no alto das montanhas e leva uma existência isolada de todo contato humano. Sua pista é novamente encontrada e a única alternativa é lançar-se numa arriscada fuga por regiões cada vez mais íngremes e geladas.


O CARA SENTIMENTAL (THE SENTIMENTAL BLOKE)    ver imagem
Austrália, 1919, 35mm, branco e preto com viragem e tingimento, 107min

cp: Australian Cinematograph Company Pty, Limited. d: Raymond Longford. r: Raymond Longford, Lottie Lyell, a partir do poema The songs of a sentimental bloke, de C.J. Dennis. df: Arthur Higgins. e: Arthur Tauchert (Bill), Lottie Lyell (Dorina), Gilbert Emory (Ginger Mick), Stanley Robinson (amigo de Bill), Harry Young, Margaret Reid (mãe de Dorina), Charles Keegan (vigário), William Coulter (Tio Jim), Helen Fergus (enfermeira), C.J. Dennis.

A descoberta ocasional, no começo da década de 1950, pela Biblioteca Nacional da Austrália da única cópia em nitrato sobrevivente de O cara sentimental permitiu que esse filme circulasse novamente e trouxesse reconhecimento ao diretor Raymond Longford em sua velhice. Baseado no poema narrativo The songs of a sentimental bloke, de C.J. Dennis, publicado em 1915, o filme foi à época de seu lançamento, em 1919, um sucesso de crítica que encantou o público da Austrália, Nova Zelândia e Inglaterra com a história de um modesto trabalhador urbano, beberrão e jogador, que conquista uma garota, casa-se com ela e encontra a felicidade na vida tranqüila do campo.

Para a versão lançada fora da região, entretanto, o distribuidor australiano diminuiu algumas cenas e removeu outras. Para um eventual lançamento nos Estados Unidos, o distribuidor chegou a substituir o coloquialismo australiano dos versos de Dennis, transcrito nos intertítulos, pela linguagem popular americana. O filme, porém, não foi bem em algumas exibições de teste e acabou não sendo lançado nos Estados Unidos. O negativo original em nitrato, remontado, acabou sendo enviado para o pioneiro arquivo de filmes da George Eastman House, em Rochester, Estados Unidos.

A moderna reconstrução do filme utilizou-se amplamente de um máster positivo realizado pela George Eastman House. Os intertítulos originais australianos e as cenas da versão australiana que haviam sido cortados foram reinseridos para restaurar o filme o mais próximo possível ao que era em seu lançamento em 1919. A velocidade do filme foi também padronizada através da copiagem à atual velocidade de projeção. Embora filmado em branco e preto, as cópias originais de O cara sentimental seguiam as convenções contemporâneas de tingimento químico de cada cena com objetivo dramático. Tentou-se uma aproximação desses tons com o uso de técnicas especiais de copiagem em modernas películas coloridas. A produção de Raymond Longford e Lottie Lyell O cara sentimental é hoje a jóia do cinema silencioso sobrevivente da Austrália.


LUCKY STAR    ver imagem
EUA, 1929, 35mm, branco e preto, 90min

cp: Fox Film Corporation. p: William Fox. d: Frank Borzage. r: Sonya Levien, com diálogos de John Hunter Booth, a partir de Three episodes in the life of Timothy Osborn, de Tristram Tupper. df: Chester A. Lyons, William Cooper Smith. mo: Katherine Hilliker, H.H. Caldwell. let: Katherine Hilliker, H.H. Caldwell.
e: Charles Farrell (Timothy Osborn), Janet Gaynor (Mary Tucker), Guinn Williams (Martin Wrenn), Paul Fix (Joe), Hedwig Reicher (Sra. Tucker), Gloria Grey, Hector V. Sarno, Jack Pennick.

Mary, uma pobre garota da fazenda, conhece Timothy logo que a I Guerra Mundial é declarada. Timothy se alista no exército e vai para os campos de batalha na Europa, onde é ferido e perde o movimento de suas pernas. De volta à casa, Timothy recebe a visita de Mary e os dois acabam se apaixonando, mas a deficiência física o impede de declarar seu amor por ela. Maiores complicações aparecem quando Martin, sargento de Timothy durante a guerra, resolve aproveitar-se de Mary.


PELE VERMELHA (REDSKIN)
EUA, 1929, 35mm, cor/ branco e preto com viragem, 91min
imagem em technicolor          imagem em sépia

cp: Paramount Famous Lasky Corporation. d: Victor Schertzinger. r: Elizabeth Pickett. df: Edward Cronjager, Harry Hallenberger (em branco e preto), Ray Rennahan, Edward Estabrook (em Technicolor). mo: Otto Lovering. e: Richard Dix (Pé Ligeiro), Gladys Belmont (Flor de Milho), Jane Novak (Judith Stearns), Larry Steers (John Walton), Tully Marshall (Jim Navajo), Bernard Siegel (Chahi), George Rigas (Notani), Augustina Lopez (Yina), Noble Johnson (Jim Pueblo), Joseph W. Giard (comissário), Philip Anderson (Pé Ligeiro aos nove anos), Lorraine Rivero (Flor de Milho aos seis anos), George Walker (Jim Pueblo aos 15 anos), Jack Duane, Andrew J. Callaghan, Myra Lynch, Pauline Garon, Ben Hall, Lincoln Stedman, Paul Panzer, Walter Reed.

Forçado a freqüentar a escola do homem branco, o navajo Pé Ligeiro afeiçoa-se pela Pueblo Flor de Milho, que o acompanha à universidade quando ele vai estudar medicina. Conflitos com a cultura branca levam Pé Ligeiro de volta a sua tribo, que também não o aceita. Os Pueblo, por sua vez, querem que Flor de Milho volte a ser indígena e que se case na tribo. A situação só se modifica quando Pé Ligeiro encontra petróleo no deserto.

Victor Schertzinger foi um excelente diretor (e músico) infelizmente ignorado pela história do cinema. No fim de sua carreia (morreu em 1941), ele dirigiu dois dos filmes da série Road to… com Bing Crosby e Bob Hope. Louise Brooks foi originalmente escalada para interpretar a garota em Redskin: “Fiz o teste com Richard Dix. Mas eu não colocaria aquelas maquiagens para índios. Eu disse 'Eu não vou para uma reserva indígena, não com Richard Dix. Ele está sempre de ressaca...'” A Paramount teve dificuldades para achar uma garota que parecesse índia sem maquiagem. Eles fizeram testes com mais de 200 mulheres antes de escalar uma desconhecida, Gladys Belmont.

Trecho da resenha de Kevin Brownlow para o catálogo Le Giornate del Cinema Muto 2003.


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