O SILÊNCIO DOS SILENCIOSOS
Assim como não existe silêncio, não existe o cinema silencioso. O próprio movimento das imagens nos imprime um ritmo mental. E ritmo é música!
Esta edição da Jornada busca trazer ou tornar audível ao espectador a experiência do silêncio. E como isso só pode se dar ao nos confrontarmos com um oposto que o referencia, ou seja, com música e sons, neste ano o enfoque sonoro privilegia situações de silêncio e de não-sincronismo com relação às imagens. Fazer cantar “a música silenciosa” de que falava King Vidor.
Se na primeira edição tivemos uma verdadeira torrente de sonoridades, em discursos muitas vezes incessantes e barrocos, desta vez, o foco é o embate com o silêncio em suas construções possíveis na experiência de tempo real do espectador, bem como a construção de ritmos sonoros próprios que possam criar um diálogo enriquecedor com as imagens.
Outra idéia é a recuperação de alguns formatos musicais históricos para acompanhamento de filmes silenciosos, como aquele formado por composições retiradas do repertório da música erudita (especialmente do pianismo romântico), como era praticado no final do século XIX e nas primeiras décadas do século XX na construção de uma narrativa musical junto às imagens.
Ao lado de uma benshi (narrador tradicional utilizado no cinema silencioso japonês), músicos japoneses e descendentes executam composições clássicas japonesas para filmes do Japão, em uma sessão que será certamente inesquecível.
Diferentes tipos de músicos formam o elenco desta II Jornada. Desde compositores de trilhas sonoras até músicos populares, músicos imigrantes, os da chamada música experimental e roqueiros. Unidos na celebração estão a diversidade criativa e esse verdadeiro milagre sensorial que reúne imagens e sons – a olhos nus!
Livio Tragtenberg
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