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CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207
Vila Clementino, São Paulo

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Jon Wengström apresenta O Cinema Silencioso Sueco

O cinema das primeiras décadas foi predominantemente europeu e os países nórdicos desenvolveram uma indústria cinematográfica que espalhou filmes por todo o mundo até a eclosão da I Guerra Mundial. Apesar de, no pós-guerra, a indústria européia haver perdido sua importância econômica para o cinema de Hollywood, a Suécia teve uma das cinematografias mais importantes de toda a história, com diretores como Victor Sjöstrom, Mauritz Stiller e Benjamin Christensen realizando obras de grande expressão artística, isso sem falar nos grandes atores de cinema surgidos no país, no qual avultam os nomes de Lars Hanson e Greta Garbo.

Selecionados por Jon Wengström, Curador da Coleção de Filmes de Arquivo do Instituto Sueco de Cinema, a Jornada apresentará uma seleção de obras que permitirá um panorama amplo e diversificado do cinema do período silencioso da Suécia e dos trabalhos de restauração de filmes que vem há décadas sendo desenvolvido naquele país.

PROGRAMA 1
Na primavera da vida (I lifvets vår)
Suécia, 1912, 35mm, preto-e-branco com viragem e tingimento, 54min, 16-17qps
cp: Pathé Frères; d: Paul Garbagni; r: Abdon Hedman baseado no romance Första älskarinnan, de August Blanche; df: Willi Neumaier; e: Victor Sjöström (Cyril Alm), Anna Norrie (senhora Alm, mãe de Cyril), Georg af Klercker (comendador von Seydling), Selma Wiklund af Klercker (Gerda), Mauritz Stiller (tenente von Plæin), Astrid Engelbrecht (Sara Andersson), Victor Arfvidson (Brooms), Georg Fernquist, Erland Colliander, William Larsson, Valdemar Dalquist, Henrik Jaenzon, Martha Josefson
Origem da cópia: Svenska Filminstitutet

Gerda, com a morte da mãe, é enviada ao comendador von Seydling, que a concebera em um de seus amores escusos. O comendador entrega a menina a uma senhora que a vende a uma quadrilha que explora crianças mendigas. Cyril Alm a salva e a cria na casa de sua mãe. Muitos anos depois, Gerda sucumbe aos encantos do tenente von Plæin e foge de casa. Vinte anos se passam: Gerda é uma atriz famosa e o próprio pai a corteja. Cyril a procura para reencontrar o passado, salva-a de um incêndio e tem o incentivo do comendador para desposá-la.

Madame de Thèbes
Suécia, 1915, 35mm, preto-e-branco com viragem e tingimento, 50min, 17qps
cp: AB Svenska Biografteatern; d: Mauritz Stiller; r: Martin Jørgensen, Louis Levy; df: Julius Jaenzon; e: Ragna Wettergreen (Ayla, conhecida como Madame de Thèbes), Nicolay Johannsen (conde Roberto), Albin Lavén (barão von Volmar), Karin Molander (Louise von Volmar), Märta Halldén (condessa Júlia), Doris Nelson (Ayla quando jovem)
Origem da cópia: Svenska Filminstitutet

Uma cigana é amaldiçoada pelo pai e precisa renegar seu filho ilegítimo para que ele tenha sucesso na vida. Ela entrega a criança à condessa Júlia, que acaba de perder seu próprio filho.
Trinta e cinco anos depois, o conde Roberto tornou-se um político importante prestes a ser nomeado ministro de Assuntos Estrangeiros. Seu rival no Parlamento é o barão von Volmar, mas, por uma fatalidade, o conde apaixona-se pela filha do barão. Este, por sua vez, através de manobras escusas, descobre que Roberto é filho da famosa Madame de Thèbes, profetiza consultada por todos os políticos, e usa essa informação para arruinar a carreira do conde.


PROGRAMA 2
Quando o capitão Grogg foi fazer o seu retrato (När Kapten Grogg skulle porträtteras)
Suécia, 1917, 35mm, preto-e-branco, 7min, 18qps
cp: AB Svenska Biografteatern; d, da e e: Victor Bergdahl (pintor)
Origem da cópia: Svenska Filminstitutet

Combinação de filmagem ao vivo e animação. Um pintor, insatisfeito com seus trabalhos, recebe a visita do capitão Grogg, que deseja um quadro seu, de corpo inteiro. Mas o capitão não fica contente com a maneira como o pintor retrata seu nariz, avermelhado pelos efeitos da bebida.

A Prisioneira da Fortaleza de Karlsten (Fången på Karlstens fästning)
Suécia, 1916, 35mm, preto-e-branco com viragem e tingimento, 64min, 16qps
cp: Hasselblads Fotografiska AB; d: Georg af Klercker; r: Willy Grebst e Georg af Klercker; df: Gösta Stäring; e: Nils Chrisander (De Faber), Maja Cassel (Mary Plussman), Manne Göthson (Johan Plussman), Arvid Hammarlund (doutor Johnson), Gustaf Bengtsson (assistente de De Faber), Victor Arfvidson (Berger, guardião da fortaleza), William Engeström (pescador)
Origem da cópia: Svenska Filminstitutet

De Faber é um inventor que fracassa na tentativa de descobrir uma nova fórmula de explosivo. A descoberta, porém, é realizada pelo professor Plussman, da Suécia, e De Faber, disfarçado de conde, visita Plussman e quer comprar a fórmula. Como o inventor se recusa a vendê-la, De Faber a rouba e sequestra Mary, filha do professor. O sequestro é visto por pessoas que alertam a polícia, o pai da moça e Johnson, seu namorado. Prisioneira numa fortaleza construída sobre uma ilha rochosa, Mary consegue enviar uma mensagem de socorro dentro de uma garrafa. Johnson e alguns pescadores seguem para a ilha para resgatar Mary, que consegue fugir das garras dos sequestradores quando percebe a chegada de seus salvadores.

Nos grilhões da escuridão (I mörkrets Bojor)
Suécia, 1917, 35mm, preto-e-branco, 43min, 16qps
cp: Hasselblads Fotografiska AB; d: Georg af Klercker; r: Willy Grebst; df: Carl Gustaf Florin; e: Sybil Smolova (Ellinor Petipon), Carl Barcklind (dr. Petipon), Artur Rolén (filho de Ellinor), Ivar Kalling (conde Xavier), Frans Oscar Öberg (pastor da prisão), Karl Gerhard, Hugo Björne, Ludde Gentzel, Helge Kihlberg, Nils Wahlbom, Victor Arfvidson, Gustaf Bengtsson
Origem da cópia: Svenska Filminstitutet

Acusada de matar o marido, Ellinor Petipon fica traumatizada e perde a memória. Mesmo sem provas conclusivas, a moça permanece presa durante alguns anos, sob observação. Relata ao pastor da prisão os acontecimentos de que vai se lembrando, inclusive a corte que lhe fazia o conde Xavier. Por intercessão do pastor, Ellinor é libertada e, ainda desnorteada, ouve num café a conversa de um grupo de malfeitores que trama roubar a mansão Petipon. Ellinor alerta seu filho, já rapaz, e se junta ao bando para atrapalhar os planos criminosos. Em seu leito de morte, o conde Xavier confessa ter assassinado o dr. Petipon.


PROGRAMA 3
Terje Vigen
Suécia, 1917, 35mm, preto-e-branco com viragem e tingimento, 56min, 17qps
cp: AB Svenska Biografteatern; p: Charles Magnusson; d: Victor Sjöström; r: Gustaf Molander e Victor Sjöström, baseado no poema homônimo de Henrik Ibsen; df: Julius Jaenzon; da: Axel Esbensen e Jens Wang; e: Victor Sjöström (Terje Vigen), August Falck (lorde inglês), Edith Erastoff (lady inglesa), Bergliot Husberg (sra. Vigen), William Larsson (novo proprietário da casa de Terje e oficial do navio inglês), Gucken Cederborg, Jenny Tschernichin-Larsson
Origem da cópia: Svenska Filminstitutet

Terje Vigen é um pescador que vive numa ilha que é bloqueada por navios ingleses durante a guerra, em 1809. Ele tenta furar o bloqueio para buscar alimentos para sua mulher e filha, mas é capturado e mandado para a prisão. Libertado cinco anos depois, descobre que seus entes queridos morreram de fome. Terje se torna um homem recluso e jura se vingar do homem que provocou seu sofrimento. Mas quando chega a oportunidade da vingança, a voz de uma criança faz com que seu ódio seja superado.

O Mosteiro de Sendomir (Klostret i Sendomir)
Suécia, 1921, 35mm, preto-e-branco com viragem e tingimento, 80min, 17qps
cp: AB Svenska Biografteatern; d e r: Victor Sjöström, baseado em conto de Franz Grillparzer; df: Henrik Jaenzon; e: Tore Svennberg (conde Starchensky), Tora Teje (Elga), Richard Lund (Oginsky), Renée Björling (Dortka), Albrecht Schmidt (administrador), Gun Robertson (filha do conde), Erik A. Petschler (nobre), Nils Tillberg (nobre), Gustaf Ranft (abade), Yngwe Nyquist (criada), Axel Nilsson (frade), Jenny Tschernichin-Larsson (mulher do carvoeiro), Emil Fjellström (frade)
Origem da cópia: Svenska Filminstitutet
Dois nobres, a caminho de Varsóvia, no século XVII, passam a noite num mosteiro. Curiosos, pedem a um monge que lhes conte a história do local. Ali vivera um poderoso conde de nome Starchensky, com a mulher Elga e a filha. Elga, porém, foi infiel ao marido e teve uma relação com o próprio primo. Ao desvendar a trama, Starchensky decidira dedicar sua vida e fortuna à construção do mosteiro em que agora se encontravam.


PROGRAMA 4
A Feitiçaria através dos tempos (Häxan)
Suécia, 1922, 35mm, preto-e-branco com viragem e tingimento, 106min, 20qps
cp: AB Svensk Filmindustri; d e r: Benjamin Christensen; df: Johan Ankerstjerne; da: Richard Louw; mo: Edla Hansen; e: Benjamin Christensen (Demônio), Ella la Cour (Karna, uma feiticeira), Emmy Schønfeld (assistente de Karna), Kate Fabian (donzela apaixonada), Oscar Stribolt (monge glutão), Wilhelmine Henriksen (Apelone, uma pobre velha), Astrid Holm (Anna, mulher do gráfico), Karen Winther (sua irmã mais moça), Maren Pedersen (Maria, bruxa), Johannes Andersen (frei Henrik, juiz do tribunal), Herr Westermann (carrasco), Clara Pontoppidan (irmã Cecília), Tora Teje (a histérica do episódio moderno)
Origem da cópia: Svenska Filminstitute

A partir de um início lento, com imagens de uma série de gravuras em madeira ou xilogravura e desenhos, o filme encaminhase para uma progressão de vinhetas dramáticas que ilustram a força espantosa da feitiçaria na Idade Média. Embora obviamente um trabalho de pura imaginação, o filme assume as dimensões de um documentário, produto da extensa pesquisa realizada por Christensen antes de iniciar o projeto.
Trata-se de um filme ficcional de horror em forma de documentário, e apresenta uma extraordinária fotografia, estrutura não-linear e iconografia grotesca. Os desiguais valores de produção e a crueza dos motivos visuais enfatizam a eficácia do filme, e acrescentam uma inesperada autenticidade à sua abordagem voyeurista. A despeito dos esforços da censura para proibir o filme, ele se transformou numa sistemática influência sobre os realizadores do século XX.
O filme marcou o divórcio dos caminhos de Christensen e a indústria cinematográfica dinamarquesa. Em seguida, ele concentraria suas atividades no cinema alemão, antes de ir para Hollywood em 1928.
Existe uma outra versão do filme, de menor duração, lançada em 1968, com narração feita pelo lendário escritor da geração beat William S. Burroughs (Naked Lunch) e trilha musical composta por Jean-Luc Ponty.


PROGRAMA 5
Contra o orgulho (Gunnar Hedes saga)
Suécia, 1923, 35mm, preto-e-branco com viragem e tingimento, 73min, 17qps
cp: AB Svensk Filmindustri; p: Charles Magnusson; d: Mauritz Stiller; r: Alma Söderhjelm e Mauritz Stiller, baseado no romance En herrgårdssägen, de Selma Lagerlöf; df: Julius Jaenzon e Henrik Jaenzon; da: Axel Esbensen; e: Einar Hanson (Gunnar Hede), Hugo Björne (sr. Hede), Pauline Brunius (sra. Hede), Mary Johnson (Ingrid), Adolf Olschansky (sr. Blomgren), Stina Berg (sra. Blomgren], Thecla Åhlander (Stava), Ingeborg Strandin (criada), Gösta Hillberg (advogado)
Origem da cópia: Svenska Filminstitutet

Gunnar Hede é criado por sua orgulhosa mãe, que deseja que o rapaz se torne respeitável para fazer jus à riqueza da família. Mas Gunnar é mais interessado em seu avô, que começou a vida como violinista andarilho mas ficou rico ao conduzir um rebanho de renas selvagens para vendê-lo nos mercados do sul da Suécia. O rapaz apaixona-se por Ingrid, uma violinista que viaja com um casal de artistas ambulantes, e renuncia à fortuna familiar para também se tornar um violinista andarilho. Gunnar tenta também repetir a façanha do avô, conduzindo renas para o sul, mas a líder do rebanho o arrasta pela neve durante muitos quilômetros e o incidente o enlouquece. Gunnar é levado de volta ao solar da família, onde Ingrid ocupa-se dele e finalmente o cura com a música. O filme é construído sobre uma atração sensacional com raízes na cultura nórdica – uma marca registrada de Stiller –, no caso, a audaciosa travessia na neve que envolve o que parecem ser zilhões de renas. A atração emerge do confl ito entre comércio e arte, com os poderes redentores da arte vencendo a batalha. Stiller equilibra criativamente as demandas da arte elevada ao colocar personagens em ambientes o mais modestamente artísticos que se possa imaginar, o que também oferece comoventes momentos de comédia. (...) A estratégia narrativa inspira uma inédita confiança em efeitos fotográficos com sonhos, memórias e alucinações como traços motivadores, até que o poder da música restaure a sanidade e a felicidade, com a prosperidade completando o tripé.
Jan Olsen. Catálogo da XXVIII edição das Giornate del Cinema Muto de Pordenone, 2009.


PROGRAMA 6
As Garotas de Norrtull (Norrtullsligan)
Suécia, 1923, 35mm, preto-e-branco com viragem e tingimento, 85min, 21qps
cp: Bonnierfilm; p: Stellan Claësson and Karin Swanström; d: Per Lindberg; r: Hjalmar Bergman, baseado no romance horônimo de Elin Wägner; df: Ragnar Westfelt; e: Tora Teje (Pegg), Inga Tidblad (Baby), Renée Björling (Eva), Linnéa Hillberg (Emmy), Egil Eide (chefe de Pegg), Tollie Zellman (Gorel, prima de Pegg), Olav Riégo (noivo de Gorel), Stina Berg (tia de Pegg), Lili Ziedner (agitadora), Lauritz Falk (Putte, irmãozinho de Pegg), Nils Asther (filho da senhoria), Gabriel Alw (noivo de Eva), Torsten Bergström (primeiro namorado de Pegg), John Ekman (chefe de Baby)
Origem da cópia: Svenska Filminstitutet

Pegg muda-se para Estocolmo, na esperança de conseguir melhores oportunidades de trabalho. Ela divide um apartamento com três outras garotas que enfrentam as tentações e as armadilhas de uma metrópole que rapidamente se moderniza. Uma das moças perde o emprego após tomar parte em uma greve; outra prefere largar o emprego a aceitar as investidas de seu chefe. O filme é narrado em primeira pessoa por Pegg e os intertítulos expõem, além de detalhes da história, seus sentimentos e reações aos acontecimentos, e ainda, informações que nos ajudam a compartilhar suas opiniões, o que dá à narração uma qualidade memorialística.
Per Lindberg (1890-1944) estudou com o famoso diretor de teatro alemão Max Reinhardt e desenvolveu importante carreira no cinema, mas sobretudo nos palcos teatrais. Depois de As Garotas de Norrtull, seu segundo filme, voltaria a dirigir apenas em 1939. Em 1940 realizou Juninatten / [Noite de junho] seu filme mais conhecido devido à participação de Ingrid Bergman.
As Garotas de Norrtull é um dos filmes mais corajosos e apreciáveis da década de 1920 europeia. Antes de 1923, os filmes apresentavam personagens femininas individuais de carne e osso, mas As Garotas de Norrtull abre um precedente ao lidar com um elenco dominado por quatro mulheres extremamente dinâmicas. (...) O roteiro de Hjalmar Bergman transcende a imagem familiar das mulheres como objetos decorativos. O quarteto feminino percorre a vida humana com passos largos. (...) O filme se assemelha a um inteligente livro de memórias, quase um diário. A direção de Lindberg foge das convenções da época e suas mulheres ainda hoje parecem muito modernas, com seus penteados e chapéus discretos, por exemplo; e as minúcias da vida cotidiana destacam-se com muita vivacidade.
Peter Cowie. Scandinavian Cinema, Londres, Tantivity Press, 1992.


PROGRAMA 7
A Herança de Ingmar (Ingmarsarvet)
Suécia, 1925, 35mm, preto-e-branco com viragem e tingimento, 100min, 20-24qps
cp: Nord-Westi Filmaktiebolag; p: Oscar Hemberg; d: Gustav Molander; r: Ragnar Hyltén-Cavallius e Gustaf Molander, baseado no romance Jerusalem I: I Dalarne, de Selma Lagerföf; df: J. Julius; e: Märta Halldén (Karin), Ivan Hedqvist (Stark Anders), John Ekman (Elias, marido de Karin), Lars Hanson (Ingmar), Mathias Taube (Halvor Halvorsson), Mona Mårtenson (Gertrudes Storm), Nils Arehn (mestre-escola Storm), Conrad Veidt (Helgum), Ida Brander (mãe de Gertrud), Knut Lindroth (juiz Berger Sven Person), Jenny Hasselqvist (Barbro)
Origem da cópia: Svenska Filminstitutet

O pequeno Ingmar perde toda a herança, inclusive a fazenda Ingmarsson, por obra de um cunhado alcoólatra. Já crescido, quer se tornar professor mas, durante uma noite de tempestade, o fantasma de seu avô promete amaldiçoá-lo se ele não se tornar um fazendeiro como seus ancestrais. Nessa mesma noite de tempestade, o místico Helgum chega à vila e rapidamente se torna líder de uma comunidade de fanáticos que se instala na fazenda Ingmarsson. Ingmar, apaixonado por Gertrudes, passa o inverno trabalhando na floresta, mas volta, ao ser informado sobre a tentativa de Helgum de se aproximar da moça. Ao ir tirar satisfações com Helgum, Ingmar o defende dos irmãos de uma moça enlouquecida pela doutrinação do fanático e, na briga, leva uma facada. Helgum decide partir, mas um incidente faz com que a irmã mais velha de Ingmar, paralítica, ande para salvar seu filho pequeno de morrer queimado. Todos acreditam em um milagre de Helgum e decidem vender tudo para acompanhá-lo a Jerusalém. No dia em que a fazenda Ingmarsson vai a leilão, o juiz Person a compra, a pedido da filha, apaixonada por Ingmar que se compromete a se casar com ela, apesar de apaixonado por Gertrudes. Esta enlouquece. Ingmar casa-se com a filha do juiz mas, no dia das núpcias, Gertrudes o procura e lhe entrega um pacote que encontrara por acaso, oculto no travesseiro do falecido cunhado de Ingmar e que contém o que restara da herança deixada pelo pai de Ingmar, que teria permitido a ele comprar a fazenda e ficar com Gertrudes.


Jon Wengström
Nascido em 1964, Jon Wengström graduou-se na Universidade de Estocolmo, em 1988, em Literatura, Filosofia e Cinema. Começou a trabalhar no Instituto Sueco de Cinema, em 1990, como programador de filmes e se tornou coordenador de programação em 1996, posição em que permaneceu até 2003, quando foi nomeado para sua posição atual de Curador da Coleção de Filmes de Arquivo. Conferencista sobre assuntos de arquivo e sobre a História do Cinema Sueco em numerosas cinematecas e festivais em todo o mundo, colabora muito com artigos no Journal of Film Preservation, publicação da Federação Internacional de Arquivos de Filmes. É também vice-coordenador da Comissão de Programação e Acesso às Coleções, da Fiaf.