III Jornada Brasileira de Cinema Silencioso cinemateca brasileira eva
 
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EM BUSCA DO BRASIL: A AMAZÔNIA SILENCIOSA

O tema brasileiro da III Jornada são os filmes de viagem (travelogues, como foram apelidados) de conhecimento do território nacional e a região amazônica, inexplorada no começo do século XX e em processo de depauperamento neste início do século XXI. Alguns filmes escolhidos retratam tribos indígenas então em seus primeiros contatos com a “civilização” branca e hoje praticamente extintas. Através desses filmes, prestamos também homenagem a dois dos nossos mais importantes documentaristas do período silencioso: Silvino Santos e Luiz Thomaz Reis.


LUIZ THOMAZ REIS (1878-1940)leia mais

SILVINO SANTOS (1886-1970)leia mais


Rituaes e festas borôro Rituaes e festas borôro
Brasil, 1916, 35mm, preto e branco, 26min

cp: Conselho Nacional de Proteção aos Índios
d e df: Luiz Thomaz Reis.
Origem da cópia: Cinemateca Brasileira / Museu do Índio

A pescaria com timbó, parte da Jure (festa da alegria) e a preparação do espaço da festa, dos adornos de palha e barro utilizados, as danças e movimentação dos rituais fúnebres, a Cerimônia do Marido e o ritual Aijê (com representação da caça à onça).
As cerimônias fúnebres entre os bororo são notáveis pela variedade de danças e práticas simbólicas. Todos da tribo trabalham para essas festas e é interditado aos brancos ou pessoas civilizadas verem um índio moribundo. Ele acaba seus dias no mistério de seus ritos e só depois de envolto em palha é exposto no átrio da aldeia, para afugentar os maus espíritos.


Parimã, fronteiras do Brasil
Brasil, 1927, 35mm, preto e branco, 30min
cp: Serviço de Proteção aos Índios; d e df: Luiz Thomaz Reis.
Origem da cópia: Cinemateca Brasileira / Museu do Índio

Filmado durante a inspeção da fronteira brasileira com a Guiana Francesa. Na época, denominava-se Parimã o sistema de montanhas do norte do Brasil, do Pico da Neblina até a Serra de Tumucumaque. Aspectos da excursão: o rio Oiapoque, os Saramacá, os pretos guianenses, a cidade de Saint Georges e a colônia agrícola Clevelândia. Rios, matas, animais, índios e seu cotidiano.


Viagem ao Roroimã Viagem ao Roroimã
Brasil, 1927, 35mm, preto e branco, 25min
cp: Ministério da Guerra; d e df: Luiz Thomaz Reis.
Origem da cópia: Cinemateca Brasileira / Museu do Índio

Filmado durante a inspeção da fronteira brasileira com a Venezuela e a Guiana Inglesa. O rio Amazonas e o tráfego de barcos de diversos países limítrofes; as cidades de Santarém e Manaus. A expedição sobe o rio Branco até Boa Vista, onde se pratica a pecuária. Nos limites com a Venezuela, Rondon recebe a visita de chefes de tribos locais. A expedição sobe o Monte Roraima e, a 2.850 metros de altitude, grava numa pedra: “General Rondon – Viva o Brasil – 29 de outubro de 1927".


O Rio da Dúvida
The River of Doubt
EUA, 1928?, 35mm, preto e branco, 29min
cp: The Roosevelt Film Library; df: Luiz Thomaz Reis, Anthony Fiala, George Miller Dyott; m: Caroline Gentry.
Origem da cópia: Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos da América

Montagem feita pela criadora da Filmoteca Roosevelt a partir de imagens recolhidas durante a Expedição Roosevelt-Rondon entre o final de 1913 e primeiros meses de 1914 com o objetivo de mapear o então chamado Rio da Dúvida (depois Rio Theodore Roosevelt), afluente do Madeira. A essas imagens foram acrescentadas outras, colhidas na expedição de George M. Dyott ao mesmo rio, realizada já na década de 1920. A chegada de Roosevelt e comitiva ao Rio de Janeiro, recepção por autoridades oficiais e passeio pela cidade. Flagrantes durante a viagem pelos rios de animais, indícios da presença de índios, chegada a acampamentos de seringueiros. No relatório de viagem aos Estados Unidos em 1918, Thomaz Reis relatou algumas palavras de Theodore Roosevelt em sua conferência no Carnegie Hall.leia mais


No paiz das amazonas
Brasil, 1922, 16mm (material existente), preto e branco e viragens, 120min
cp: J. G. de Araújo e Cia.; p: J. G. de Araújo; d e m: Silvino Santos e Agesilau de Araújo; df: Silvino Santos.
Origem da cópia: Cinemateca Brasileira


Inicia-se com vários aspectos da cidade de Manaus, vendo-se em pleno funcionamento seu belo porto com dois grandes paquetes de longo curso atracados ao flutuante e outros pequenos de cabotagem, os armazéns da Manaus Harbour em carga e descarga, os principais estabelecimentos comerciais e industriais e outros. Daí, o espectador se transporta aos grandes lagos do Amazonas... pesca do peixe-boi e do pirarucu e o beneficiamento da carne destes habitantes das águas amazônicas... mixira e mantas secas ao sol... extração da balata do Rio Branco e o preparo do látex. Termina esta parte com a exibição de um grupo de índios e índias peruanas, terrivelmente decotadas, segundo a legenda do filme. Essa primeira série finaliza mostrando o que são os esplêndidos campos de criação do Rio Branco. Estado do Pará (Belém), 28.12.1922.

Vêem-se os pescadores do pirarucu e do peixe-boi, os trabalhos dos castanhais, os seringueiros, a vida rústica do sertanejo do extremo norte, as nossas riquezas florestais, os rios, as feras fluviais e as aves pulcras e elegantíssimas; o castanheiro colosso, com as suas saborosíssimas amêndoas dependuradas, e coroado de orquídeas... Depois vamos até Porto Velho no Madeira, até a divisa com a Bolívia, e vemos então a famosa estrada dos trilhos de ouro, a Madeira-Mamoré. Oferece a fita aspectos de Maués, o preparo do guaraná desde a sua colheita até a modelagem das figuras que tão apreciáveis já se tornaram nos centros civilizados. Vamos subir o Rio Branco, onde a beleza do filme requinta na delicadeza de sua confecção. Depara-se-nos a Pedra Pintada, mole de granito que tem a altura de 150 metros. O espetáculo mais impressionante está para o fim. O regresso da expedição a Manaus, numa frágil embarcação a vapor, por sobre cachoeiras perigosíssimas, constitui a parte épica do filme. A Imprensa (Manaus), 16.12.1922.


No rastro do Eldorado No rastro do Eldorado
Brasil, 1925, 35mm, preto e branco, 78min (o material existente, no qual faltam todos os intertítulos)
cp: J. G. de Araújo e Cia.; p: J. G. de Araújo e Hamilton Rice; d, df e m: Silvino Santos.
Origem da cópia: Arquivo Nacional de Cinema e Televisão / Instituto Britânico de Cinema – Cinemateca Brasileira

São apresentados aspectos dos rios Negro e Branco, em que se mostram os serviços da expedição do Dr. Hamilton Rice; os voos do avião Eleanor III; bonito panorama de Manaus, apanhado do ar; as grandes cachoeiras do Rio Branco; tribos de índios; costumes de tribos e dos índios brancos que habitam as serras do Parimã. Embora Hamilton Rice, em seu livro Exploração na Guiana Brasileira, não faça referência a seus interesses econômicos, o americano do norte tinha como objetivo a aprovação de um projeto de construção da estrada de ferro Manaus-Boa Vista, e solicitava a concessão, por trinta anos, para a exploração da madeira e de minérios ao longo dos quinhentos metros de cada lado da estrada.leia depoimento de Silvino Santos


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