III Jornada Brasileira de Cinema Silencioso cinemateca brasileira eva
 
box
twitter
PRODUÇÕES SILENCIOSAS CONTEMPORÂNEAS

A EXPEDIÇÃO BRASILEIRA DE 1916 A EXPEDIÇÃO BRASILEIRA DE 1916
EUA, 2006, 35mm, preto e branco, 7min
cp: Bioscópio Brasileiro / Wisconsin Bioscope; p: Dan Fuller; r: JacobTauber, Dan Fuller; df: Andrew Vann; e: David Bordwel (Rúbem Ney de Souza), Erin Canty, Derek Eby (exploradores), mais selenitas.
Origem da cópia: Communication Arts Department, University of Wisconsin-Madison

Em 2006, a Winsconsin Bioscope tomou conhecimento de um fato de 1916 que está ausente das histórias oficiais, um fato tão espantoso que alguns duvidam que realmente tenha acontecido. A prova é este filme, único documento sobrevivente de uma ousada e quase bem-sucedida expedição à Lua. Por que esse audacioso empreendimento espacial tem sido esquecido até agora? Sem dúvida, a declaração de guerra do Brasil aos Poderes Centrais, em outubro de 1917, distraiu a atenção do público. Por outro lado, o trágico final da missão pode ter feito com que todos pensassem que seria melhor esquecê-la.


CADTASTROPHE cadtastrophe
EUA, 2003, 35mm, preto e branco, 3min
cp. Wisconsin Bioscope; p e r: Dan Fuller; d: Lynne Wisnefski; df: Laura Cecil; e: Gabriel Gronli (Cad), Kat Nichols (moça), Dan Fuller (garçom), Nadia Ghasedi (criada)
Origem da cópia: Communication Arts Department, University of Wisconsin-Madison.

Elaboração de um tema comum a muitos filmes silenciosos dos primeiros tempos: um jogo amigável que termina em briga. Louis Lumière filmou a amistosa Partie de cartes / Jogo de cartas, em 1895, com seu pai e seu sogro. Esse filme foi imediatamente copiado por outros cinegrafistas. A Chess dispute / Um jogo de xadrez (R.W. Paul, 1903) é um exemplo inglês dessas cópias, do qual Cadtastrophe roubou idéias sem o menor pudor.

siglas utilizadas

***


A Wisconsin Bioscope Company, ligada à Universidade de Wisconsin, produziu seu primeiro filme em 1999, e realizou, até hoje, 25 curtas silenciosos em 35mm, mostrados em todos os Estados Unidos e em diversas edições das Giornate del Cinema Muto de Pordenone.

Esses filmes foram realizados por mim e por aproximadamente quinze estudantes universitários, que se imaginaram em um pequeno estúdio de cinema da década de 1910, simulando padrões de estilo e de recursos tecnológicos condizentes com aquela época.

A razão pela qual nossa primeira produção internacional seja brasileira se deve ao Youtube e à maravilhosa encenação do vôo de Santos Dumont em seu 14-bis. Fiquei muito interessado pela figura elegante, e de baixa estatura, de Santos Dumont, por suas viagens em balões e outros dirigíveis, pela vida pessoal misteriosa e sua morte trágica, e pela forma como se tornou um herói nacional em decorrência de razões políticas e nacionalistas. Em minhas aulas, tentei traduzir para os alunos os versos de “A conquista do ar”, de Eduardo das Neves:

A Europa curvou-se ante o Brasil
E clamou “parabéns” em meigo tom
Brilhou lá no céu mais uma estrela
Apareceu Santos Dumont.

Li esses versos para o elenco e a equipe antes de filmarmos a viagem à Lua. Durante as filmagens, ouvimos várias versões do Hino Nacional Brasileiro e discos de música popular brasileira das décadas de 1910 e 20. O que tentamos fazer foi uma viagem no tempo, de baixo custo, e uma imigração fantasiosa.


Dan Fuller
Diretor geral da Wisconsin Bioscope Company
Professor da Universidade de Wisconsin, EUA

Mais sobre a Wisconsin Bioscope Company em www.wisconsinbioscope.com