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CURSO LIVRE em parceria com o Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Aulas às terças-feiras, às 19h00.
As inscrições são GRATUITAS e devem ser feitas pessoalmente na bilheteria da Sala Cinemateca Petrobras a partir do dia 04 de outubro, de terça a domingo, das 15h00 às 21h00, mediante a apresentação de RG e CPF ou passaporte. São 100 vagas disponíveis, preenchidas de acordo com a ordem de inscrição.
RUBENS MACHADO JR., coordenador do curso, é formado em arquitetura e urbanismo pela USP. Livre Docente em Teoria e História do Cinema na ECA-USP. Estagiou como pesquisador na Universidade de Paris III (1991-1997) e fez Pós-Doutorado no IA-Unicamp (1998-1999). Integra editorias de várias revistas, como Cine-Olho (RJ-SP, 1975-1980), Infos Brésil (Paris, 1992-2007), Praga (SP, 1997-2000), Sinopse (SP, 1999-2006), Significação (SP, 2006-) e Rebeca (2011-). Publicou artigos em periódicos brasileiros como Novos Estudos Cebrap, Alceu, Cinemais, Educação & Sociedade, Pós – FAU-USP, Trópico e Folha de S. Paulo; na Itália, Oèdipus e Close-Up: Storie della visione; na França, Cahiers du Cinéma, Episodic e L'Armateur. Pertence ao Conselho do Paço das Artes e do MIS-SP. Atualmente pesquisa a história do cinema experimental e de vanguarda.
Módulo 28
Num país como o Brasil, já periférico, o quê restaria aos seus pólos de maior concentração, além da sina persistente de ser um simulacro de conhecidas metrópoles do primeiro mundo? O brilho das exorbitâncias locais, com as suas diferenças mais perturbadoras?
Periferia, favela, subúrbio, arrabalde, franjas urbanas, zonas de habitação precária – ausências e eclipses formidáveis de um centro urbano iluminador que não pode a tudo alcançar. Centro, por sua vez, acometido pelas sombras que gerou, penetrado de sua própria relevância assustadora, compenetrado de suas limitações fatídicas.
O centro de uma metrópole traria a presença da História. O tradicional mais emblemático da cidade é de início visto pelo olhar moderno mais inovador num jogo de certa indiferença desdenhosa com o passado. Essa espécie de convívio algo paradoxal, cheio de nonchalance, só o primeiro modernismo do cinema carregaria de verdade, como num desdém um tanto auto-afirmativo de sua novidade bombástica face à velha ordem. Depois, o que veremos é um avanço do passado e da história sobre a ambição moderna dos novos cinemas, transformando-os em aliados de sua estética, gerando uma modernidade maturada, compreendida como propriamente cinematográfica.
Margens & Centros, jogo fundador e configuração indissociável, tanto da cidade em nosso tempo como do cinema moderno: interação contraditória de precariedade e cidadania, violências e civilidades. Isso parece persistir se nuançamos o jogo centro-margens com desdobramentos mais complexos, divisando em lugar de margens, a semiperiferias e periferias, e em vez de centros, a núcleos orgânicos (Arrighi). Continuamos fadados a uma dinâmica de compreensão difícil e desafiadora.
Amplia-se na história, ou não, uma (des)politização da Polis? Do cinema? Veremos espaços que se revelam desconformes aos corpos. Disseminam-se no filme as possibilidades daquilo que não aparece vir a determinar o que aparece, do espaço off como estruturante do espaço in (Burch). Intrínsecas contradições de classe, de condição e de ponto de vista. Arranjos de tensão interrogativa, que na história do cinema nos jogará então, pelo menos desde a metade do Século XX, de desdobramentos do neo-realismo italiano, para as sucessivas vagas na modernidade fílmica, não só francesa como internacional.
O cinéfilo brasileiro não deixará de se lembrar aqui dos marcantes contrapontos paulistanos que nos levam do São Paulo Sociedade Anônima (1965), de Luiz Sérgio Person, ao filme de Ozualdo Candeias, A Margem (1967), prefigurando as reverberações modernas de centro-periferia que acabaram por fazer vingar um determinado Cinema Marginal implodindo, mas também radicalizando, o Cinema Novo.
Metrópoles como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte ou Salvador implicam sempre centros obscurecidos pelas fissuras e pelas sombras que neles crescem. As várzeas do Rio Tietê, os últimos barracos do morro carioca, esquinas perdidas de incontáveis Contagem, ruínas da mítica Baixa do Sapateiro, precário habitar de centros gangrenados. E as regressões paulistanas a Santos, São Vicente, Itanhaém, ou exílios incrustados nas avenidas, vinculações a remotos sítios de origem, mesmo que pretensamente em pleno Paraguai ou no Parque São Jorge; bairros industriais ou seu arremedo inespecífico?
Espaços concomitantes de exclusão e violência, desenganos e procuras de bem-estar, urbanidade, buscas de evasão e consolo, chegando à alienação e à caduquice. Vivências imaginárias e reais, determinadíssimas e ao léu. Caducidades, dramas e expectativas serão tornados emergenciais.
Rubens Machado Jr.
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