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CURSO
UMA HISTÓRIA DO CINEMA NA CINEMATECA BRASILEIRA
11 de maio a 06 de julho de 2010
Em maio, a Cinemateca Brasileira dá início às atividades de mais um módulo de seu curso livre UMA HISTÓRIA DO CINEMA, em parceria com o Departamento de Cinema, Rádio e Televisão da Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo.
Os encontros acontecem sempre às TERÇAS-FEIRAS, às 19h00. São 150 vagas disponíveis e todas as aulas são abertas ao público em geral, com entrada franca.
As INSCRIÇÕES são gratuitas e devem ser feitas pessoalmente na bilheteria da Sala Cinemateca Petrobras, nos seguintes dias e horários:
segunda: das 10h00 às 16h00
terça a sexta: das 10h00 às 21h00
sábado e domingo: 14h00 às 21h00
Para realizar a inscrição é necessário informar os dados dos seguintes documentos: RG, CPF, passaporte, Título de Eleitor e Documento Militar.
Módulo XXV
CIDADE E CINEMA –
O realizador paulista José Medina, que no começo da carreira filmara na ainda descampada Avenida Paulista, Exemplo Regenerador (1919), declarou certa vez que concebeu Fragmentos da Vida (1929) ao voltar impressionado de viagem a Nova York. Declaração semelhante ouviu-se de Fritz Lang, na Alemanha, falando da criação de Metropolis (1926). As diferenças de resultado dizem respeito não somente à distância entre as cinematografias de cada país, como à discrepância entre as realidades locais, entre uma São Paulo e uma Berlim, a pulsação específica de cada metrópole naqueles loucos anos 20. É certo que as cidades começam a ser construídas no cinema impelidas desde o princípio pelas forças concorrentes das realidades culturais locais e de vigorosos parâmetros internacionais em vigência contemporânea. Nesse jogo geopolítico, fatores múltiplos se combinam, caso a caso: imperativos dramatúrgicos, imposições representacionais, exigências realistas, características de público, invenções visionárias, convenções técnicas, encantamentos estilísticos, determinações econômicas, ideologias mais ou menos intempestivas, tradições arraigadas, incontáveis virtudes e limitações.
O paradigma da metrópole verticalizada trazido por Nova York ao Século XX antecede o surgimento do cinema. E vai se afirmando pari passu também em termos fílmicos com a maturação de narrativas e estilos, em diversidade formidável nas primeiras décadas cinematográficas. Seguido de perto por Chicago e espalhando-se como tendência mundo afora, o agigantar-se de Manhattan repercutia, iniciado e celebrado noutros meios como o jornalismo, a literatura, a fotografia, as artes visuais, ainda quando o cinema engatinhava. Recordemos que em crônicas paulistanas dos anos 1910, Monteiro Lobato vinha falar de Nova York como o modelo a ser seguido em terra bandeirante.
O artista Hélio Oiticica, em seu único filme “concluído”, o Super-8 Agrippina é Roma-Manhattan (1972), foi buscar esse título e o argumento num verso de Sousândrade no “Inferno de Wall Street”, escrito nos anos 1870 pelo poeta maranhense. Em glosa sintética e ideogrâmica do poema, o filme constrói um século depois nas ruas nova-iorquinas todo um enredar-se tirânico daquela cenografia realista com a afirmação do poder monetário e do jogo mítico, imaginando reativações imperiais. A própria história da cenografia cinematográfica rende tributo desde os seus primórdios, mesmo quando involuntariamente, a Nova York: ‑ no desafio aos céus de sua espacialidade ortogonal, no seu estilo arquitetônico neoclássico desenraizante, na sua modernidade (pseudo?) racionalizada em retíssimas arestas, matrizes da vocação art déco.
O curso pretende introduzir aos problemas desse relevante aspecto da história do cinema através de exemplos que discutem a diversidade de aspectos envolvidos tanto na compreensão das identidades urbanas como na análise das diferentes estéticas cinematográficas. Diversos estilos e gêneros de filmes são contemplados – desde a sua formação histórica – na comparação proposta entre os modelos de metrópole cinematográfica, discutidos a partir de uma concentração “arqueológica” no caso nova-iorquino e paulistano. Essa base historiográfica informa e prepara o terreno para a percepção e apreciação da importância contemporânea assumida por Nova York no plano cultural, simbólico e geopolítico global. Corresponde à pré-história de uma presença central na cultura audiovisual contemporânea, da série Seinfeld a Woody Allen, de Coppola a Spike Lee, dos disaster movies ao 11 de setembro.
RUBENS MACHADO JR., responsável pelas aulas, é formado em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade de São Paulo, pós-graduado em Cinema pela Escola de Comunicações e Artes da USP, onde hoje é Livre Docente em Teoria e História do Cinema. Como pesquisador, estagiou na Universidade de Paris III (1991-1997) e fez Pós-Doutorado no Instituto de Artes da Universidade Estadual de Campinas (1998-1999). Lecionou Estética e História da Arte e da Arquitetura na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Escola de Belas Artes. Integra a editoria de várias revistas, como Cine-Olho (RJ-SP, 1975-1980), Infos Brésil (Paris, 1992-2007), Praga (SP, 1997-2000), Sinopse (SP, 1999-2006) e Significação (SP, 2006-). Participou do Centro de Estudos da Metrópole e atualmente pesquisa a história do cinema experimental no Brasil. Foi o curador da mostra Marginália 70: o experimentalismo no Super-8 brasileiro, realizada no Itaú Cultural (2001-2003).
CINEMATECA BRASILEIRA
Largo Senador Raul Cardoso, 207
próximo ao Metrô Vila Mariana
Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)
ENTRADA FRANCA
PROGRAMA DO CURSO
11.05 | TERÇA, 19h00
SALA CINEMATECA PETROBRAS
Cinema como cenário urbano: o surgimento e o afirmar-se da vocação espetacular do novo meio confunde-se com a criação da cenografia cinematográfica logo nos primórdios da história do cinema.
European rest cure, de Edwin S. Porter
EUA, 1904, 35mm, pb,
Num porto de Nova York, um velho cavalheiro despede-se da família para seguir em viagem de férias rumo à Europa. Depois de sofrer com o mau tempo no mar e com o balanço do navio, ele finalmente chega ao velho continente. Por cada país que passa, envolve-se numa confusão – na Irlanda, é vítima de um acidente; na França, toma muito vinho e dança com moças de moral duvidosa; nos alpes suíços, despenca de uma pedra e, na Itália, tem de lidar com um casal de malandros.
Cabiria, de Giovanni Pastrone
Itália, 1914, 35mm, pb,
Carolina Catena, Lidia Quaranta, Bartolomeo Pagano, Emilio Vardannes
Produção grandiosa e refinada, Cabiria é considerado um dos pioneiros do cinema épico, responsável por influenciar cineastas como D. W. Griffith e Cecil B. DeMille. Durante as Guerras Púnicas,
18.05 | TERÇA, 19h00
SALA CINEMATECA PETROBRAS
Durante e mesmo antes do crescimento de Hollywood, esboça-se uma dramaturgia cinematográfica
especificamente nova-iorquina associada à construção de diferentes gêneros narrativos.
The musketeers of Pig Alley, de D. W.
EUA, 1912, 35mm, pb,
Elmer Booth, Lillian Gish, Walter Miller, John T. Dillon
Casal de jovens vive num cortiço de Nova York. Por conta de seu trabalho, o rapaz, um músico, tem de ficar longe de casa por alguns dias. Quanto retorna, é assaltado pelo gângster do bairro. Tempos depois, reconhece o vilão na rua e tenta reaver seu dinheiro. O curta-metragem de Griffith é um dos primeiros filmes em que surge a personagem do gângster.
O imigrante (The immigrant), de Charles Chaplin
EUA, 1917, 35mm, pb,
Charles Chaplin, Edna Purviance, Eric Campbell, Albert Austin
Carlitos é um imigrante que viaja a bordo de um navio para a América. Durante a travessia, conhece uma bela jovem e os dois se enamoram. Ao chegarem aos Estados Unidos, no entanto, são obrigados por um oficial da imigração a se separar.
O Homem Mosca (Safety last!), de Fred C. Newmeyer e Sam Taylor
EUA, 1923, 35mm, pb,
Harold Lloyd, Mildred Davis, Bill Strother, Noah Young
Jovem do interior vai para a cidade a fim de vencer na vida. Enquanto trabalha como balconista numa loja de departamentos, sugere ao gerente do lugar que premie com um boa quantia aquele que trouxer mais clientes para sua loja. Para ganhar o dinheiro, ele combina com um amigo – “O Homem Mosca” – que escale o prédio onde fica a loja para fazer a necessária publicidade. Mas “O Homem Mosca” é procurado pela polícia e o jovem é obrigado então a escalar o edifício por conta própria.
25.05 | TERÇA, 19h00
SALA CINEMATECA PETROBRAS
Metropolis é um clássico absoluto sob vários aspectos: da história do cinema, da ficção científica,da cidade fílmica, do período mudo, da cenografia cinematográfica, do período entre-guerras no cinema alemão, das estéticas expressionistas, do art déco etc.
Metropolis, de Fritz Lang
Alemanha, 1927, 35mm, pb,
Alfred Abel, Gustav Fröhlich, Rudolf Klein-Rogge, Brigitte Helm
No longínquo ano de 2.026, uma cidade está dividida em duas classes: a elite dominante, ociosa e acostumada ao luxo, e o operariado, habitante de um mundo subterrâneo, escravizado por monstruosas máquinas que fazem a cidade funcionar a todo vapor. A rígida divisão entre os grupos é abalada quando o filho do prefeito desce ao baixo mundo e se apaixona por uma operária.
01.06 | TERÇA, 19h00
SALA CINEMATECA PETROBRAS
O drama de conteúdo social evolui especialmente no cinema dos EUA no período entre-guerras e já no silencioso, assim como entre os anos 60-70. Nova York permitiria uma reflexão singular sobre o sonho americano diante da sociedade anônima, competitiva, massificada.
A turba (The crowd), de King Vidor
EUA, 1928, 35mm, pb,
Eleanor Boardman, James Murray, Bert Roach, Estelle Clark
Nascido no dia 04 de julho – data da Independência americana – menino tem expectativas de um grande futuro, mas, seus sonhos logo se esvaem com a morte do pai. Quando cresce, ele se muda para Nova York, onde arranja um emprego e uma esposa. Depois de cinco anos, o casamento vai mal e o dinheiro é pouco para que ele crie suas duas filhas. Ainda assim, o rapaz segue lutando para melhorar sua vida.
08.06 | TERÇA, 19h00
SALA CINEMATECA PETROBRAS
Se o gênero musical deve à Broadway sua essência, a cenografia espetacular de Hollywood ficou sempre algo a dever diante da possibilidade de locações diretas na cidade de Nova York, o que passa a ocorrer mais frequentemente e em combinações no pós-guerra, com o influxo das estéticas realistas.
Um dia
EUA, 1949, 35mm, cor,
Gene Kelly, Frank Sinatra, Jules Munshin, Vera-Ellen
Três marinheiros aproveitam suas folgas para passar um dia
15.06 | TERÇA, 19h00
SALA CINEMATECA PETROBRAS
O imigrante, sobretudo o recém-chegado, mas também o que vem sofrer as agruras da aclimatação nova-iorquina, foi protagonista central de diferentes experiências cinematográficas. Os maiores contrastes provém nem tanto de estrangeiros como de americanos do campo.
Perdidos na noite (Midnight cowboy), de John Schlesinger
EUA, 1969, 35mm, cor/pb,
Dustin Hoffman, Jon Voight, Sylvia Miles, John McGiver
Um ingênuo vaqueiro do Texas vai para Nova York em busca de fortuna. No entanto, a única coisa que consegue de valor é a amizade de um trambiqueiro fracassado que gosta de sonhar alto. Vivendo à margem da sociedade, os dois vagabundos desenvolvem um sólido companheirismo que vai além de suas desilusões e desejos de ascensão.
22.06 | TERÇA, 19h00
SALA CINEMATECA PETROBRAS
A atração exercida pelas metrópoles sobre amplas extensões de território, no caso da migração interna no Brasil, configura
jogando com os extremos do espectro social no país.
Candinho, de Abílio Pereira de Almeida
São Paulo, 1953, 35mm, pb,
Amácio Mazzaropi, Marisa Prado, Ruth de Souza, Adoniran Barbosa
Apaixonado pela irmã de criação, um caipira abandona a fazenda do pai adotivo e tenta sobreviver
O Candinho, de Ozualdo Candeias
São Paulo, 1976, 35mm, pb,
Eduardo Llorente, Shirley Grechi, Ivani Ross, Antônio Gonçalves Cury
Candinho é expulso da fazenda onde mora e vai para a cidade grande, procurando Jesus Cristo. Até certo momento, a narrativa é linear e realista, acompanhada por uma canção caipira. Mas o cineasta subitamente abandona o protagonista, para seguir uma cigana prostituta e embacar adiante no surrealismo.
29.06 | TERÇA, 19h00
SALA CINEMATECA PETROBRAS
As relações entre Nova York e São Paulo começam precocemente no cinema, e o caso de José Medina oferece grande interesse para a compreensão histórica do fenômeno, evidenciando identidades urbanas e suas diferenças, em especial no uso da paisagem e na construção do personagem.
Exemplo regenerador, de José Medina
São Paulo, 1919, 35mm, pb,
Lucia Laes, Waldemar Moreno, José Guedes de Castro, Carlos Ferreira
Marido farrista deixa a esposa só em casa no dia do aniversário de casamento. O criado, condoído com a triteza da mulher, imagina um plano para ajudá-la a reconquistar o marido. Exemplo regenerador contém raras imagens da Avenida Paulista e do Parque Trianon.
Fragmentos da vida, de José Medina
São Paulo, 1929, 35mm, pb,
Carlos Ferreira, Alfredo Roussy, Áurea de Aremar, Medina Filho
Na construção de uma São Paulo que "crescia desafiando as nuvens, levando nessa ansia incontida o suor de operários humildes", um trabalhador cai de um andaime e, à beira da morte, pede ao filho para trilhar o caminho da "honestidade, do trabalho e da honradez". O filho, porém, prefere tornar-se um vagabundo.
Páginas da vida: O guarda e o hino (O. Henry’s Full house: The cop and the anthem), de Henry Koster
EUA, 1952, 35mm, pb,
Charles Laughton, David Wayne, Marilyn Monroe, John Steinbeck
Um dos episódios do longa-metragem dividido
06.07 | TERÇA, 19h00
SALA CINEMATECA PETROBRAS
No Brasil, a polaridade entre as duas maiores metrópoles brasileiras, Rio e São Paulo,
implica em diferentes relações com os parâmetros norte-americanos. A afirmação das culturas locais
cria tensões importantes na expressão estética das diferenças entre as metrópoles e as sociedades evocadas.
The MASP Movie – O filme do MASP, de Hamilton Zini Jr., Salvador Messina e Sylvio Pinheiro
São Paulo, 1986, 35mm, cor,
Filme de animação sobre o dia em que o MASP, enfurecido com um grupo de turistas, cria vida e sai para um catastrófico passeio pela cidade.
Copacabana mon amour, de Rogério Sganzerla
Rio de Janeiro, 1970, 35mm, cor/pb,
Helena Ignez, Otoniel Serra, Paulo Villaça, Guará
Filmado em cinemascope, e todo em câmera na mão, Copacabana mon amour é uma das mais radicais experiências de Rogério Sganzerla. Helena Ignez é Sônia Silk, “a fera oxigenada” que sonha em ser cantora da Rádio Nacional. Para sobreviver, se entrega a turistas
Agrippina é Roma-Manhattan, de Hélio Oiticica
Nova York, 1972, super-8, cor,
Na imponente arquitetura de Manhattan e Wall Street, como numa Roma neoclássica, mulher de vermelho e personagens airosos tentam a sorte, postados ambiguamente entre o mais mundano afã e alguma transcedência mítica.
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Cinemateca Brasileira
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