ínicio

Programação

CLÁSSICOS & RAROS DO NOSSO CINEMA – 2ª EDIÇÃO

21 de abril a 16 de maio de 2010

 

A Cinemateca Brasileira volta a firmar parceria com o Centro Cultural Banco do Brasil para apresentar a segunda edição da mostra CLÁSSICOS & RAROS DO NOSSO CINEMA. Realizada pela primeira vez em dezembro de 2007 e janeiro de 2008, em São Paulo, a mostra reúne desde os recordistas de bilheteria ao cinema de invenção, passando por filmes populares - comédias eróticas, filmes de terror, policiais e faroestes - muitos dos quais não encontram as telas desde a época de seus lançamentos. A maioria dos filmes programados será exibida em cópias novas especialmente confeccionadas para a mostra.

 

Neste contexto, serão projetados clássicos como A filha do advogado (1926), de Jota Soares, produção silenciosa do Ciclo do Recife, Cala a boca Etelvina (1958), de Eurides Ramos, chanchada com Dercy Gonçalves, A grande feira (1961), de Roberto Pires, diretor pioneiro do cinema baiano, e A mulher de todos (1969), com Helena Ignez no papel da vampiresca Angela Carne e Osso. Pérolas do cinema popular paulista como Gregório 38 (1969), de Alex Prado, clássico do western feijoada, o policial Os desclassificados (1972), de Clery Cunha, o horror erótico Ninfas diabólicas (1978), de John Doo, e Damas do prazer (1979), de Antonio Meliande, obra-prima do cinema da Boca do Lixo, fazem parte da mostra.

 

Dentre as raridades da segunda edição, destacam-se Preço de um desejo (1952), melodrama criminal dirigido por Aloisio T. de Carvalho, E a paz volta a reinar (1955), de Yoshisuke Sato, filme que joga luz sobre um capítulo obscuro da história da colônia japonesa no Brasil, Juventude sem amanhã (1959), de Elzevir Pereira da Silva e João Cézar Galvão, um retrato das práticas criminosas da chamada juventude transviada em Copacabana, e É Simonal (1970), de Domingos Oliveira, insólita comédia musical embalada pelo sucesso do cantor Wilson Simonal nos anos 70.

 

Para as crianças, a mostra CLÁSSICOS & RAROS DO NOSSO CINEMA – 2ª EDIÇÃO apresenta o curta Macaco feio... macaco bonito... (1929), de Luiz Seel, uma das primeiras animações feitas no Brasil, em programa duplo com O Saci (1953), de Rodolfo Nanni, adaptação da obra de Monteiro Lobato para as telas.

 

A mostra contará ainda com uma série encontros com os cineastas e atores que assinam as produções escolhidas. O espectador terá a oportunidade de conversar com os cineastas Alex Prado, Aloisio T. de Carvalho, Carlos Reichenbach, Clery Cunha, Guilherme de Almeida Prado e Rodolfo Nanni, com as atrizes Helena Ignez e Patrícia Scalvi, e com os músicos Wilson Simoninha e Max de Castro.

 

SERVIÇO

 

CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207

próxima ao Metrô Vila Mariana

Informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)

Ingressos: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada)

Atenção: estudantes do Ensino Fundamental e Médio de escolas públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.

 

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL – SÃO PAULO

Rua Álvares Penteado, 112 – Centro

próximo às estações Sé e São Bento do Metrô

Informações: (11) 3113-3651 / 3113-3652

www.bb.com.br/cultura

Ingressos: R$ 4,00 (inteira) / R$ 2,00 (meia-entrada)

 

 

PROGRAMAÇÃO 

 

CENTRO CULTURAL BANCO DO BRASIL

  

21.04 | QUARTA

 

17h00 A MULHER DE TODOS

19h30 ABERTURA COM CARLOS EBERT E PAULO SACRAMENTO

 

22.04 | QUINTA

 

15h00 NA SENDA DO CRIME

17h00 CALA A BOCA ETELVINA

19h30 E A PAZ VOLTA A REINAR

 

23.04 | SEXTA

 

15h00 MATAR OU CORRER

17h00 A FILHA DO ADVOGADO

19h30 NA SENDA DO CRIME

 

24.04 | SÁBADO

 

15h00 A MULHER DE TODOS

17h00 ENCONTRO COM HELENA IGNEZ

19h30 CALA A BOCA ETELVINA

 

25.04 | DOMINGO

 

15h00 E A PAZ VOLTA A REINAR

17h00 A MULHER DE TODOS

19h30 A FILHA DO ADVOGADO

 

28.04 | QUARTA

 

15h00 NEM SANSÃO NEM DALILA

17h00 LILIAN M: RELATÓRIO CONFIDENCIAL

19h30 ENCONTRO COM CARLOS REICHENBACH

 

29.04 | QUINTA

 

15h00 O MATADOR PROFISSIONAL

17h00 É SIMONAL

19h30 ENCONTRO COM WILSON SIMONINHA E MAX DE CASTRO

 

30.04 | SEXTA

 

15h00 UMA AVENTURA AOS 40

17h00 NEM SANSÃO NEM DALILA

19h30 LILIAN M: RELATÓRIO CONFIDENCIAL

 

01.05 | SÁBADO

 

15h00 NINFAS DIABÓLICAS

17h00 ENCONTRO COM PATRÍCIA SCALVI

19h30 O MATADOR PROFISSIONAL

 

02.05 | DOMINGO

 

15h00 TERRA EM TRANSE

17h00 NINFAS DIABÓLICAS

19h30 UMA AVENTURA AOS 40

 

05.05 | QUARTA

 

15h00 PERFUME DE GARDÊNIA

17h00 OS DESCLASSIFICADOS

19h30 ENCONTRO COM CLERY CUNHA

 

06.05 | QUINTA

 

15h00 DAMAS DO PRAZER

17h00 JUVENTUDE SEM AMANHÃ

19h30 É SIMONAL

 

07.05 | SEXTA

 

15h00 OS DESCLASSIFICADOS

17h00 PERFUME DE GARDÊNIA

19h30 BONITINHA, MAS ORDINÁRIA

 

08.05 | SÁBADO

 

15h00 É SIMONAL

17h00 DAMAS DO PRAZER

19h30 JUVENTUDE SEM AMANHÃ

 

09.05 | DOMINGO

 

15h00 MACACO FEIO... MACACO BONITO... | O SACI

17h00 BONITINHA, MAS ORDINÁRIA

19h30 DAMAS DO PRAZER

 

12.05 | QUARTA

 

15h00 A GRANDE FEIRA

17h00 O PAGADOR DE PROMESSAS

19h30 VIAGEM AO FIM DO MUNDO

 

13.05 | QUINTA

 

15h00 CAVEIRA MY FRIEND

17h00 PREÇO DE UM DESEJO

19h30 GREGÓRIO 38

 

14.05 | SEXTA

 

15h00 VIAGEM AO FIM DO MUNDO

17h00 A GRANDE FEIRA

19h30 O PAGADOR DE PROMESSAS

 

15.05 | SÁBADO

 

15h00 GREGÓRIO 38

17h00 CAVEIRA MY FRIEND

19h30 PREÇO DE UM DESEJO

22h00 GREGÓRIO 38

24h00 CAVEIRA MY FRIEND

 

16.05 | DOMINGO

 

15h00 O PAGADOR DE PROMESSAS

17h00 VIAGEM AO FIM DO MUNDO

19h30 A GRANDE FEIRA

 

  

CINEMATECA BRASILEIRA

  

22.04 | QUINTA

 

SALA CINEMATECA BNDES

 

19h30 PERFUME DE GARDÊNIA | ENCONTRO COM GUILHERME DE ALMEIDA PRADO

 

23.04 | SEXTA

 

SALA CINEMATECA BNDES

 

18h30 BONITINHA, MAS ORDINÁRIA

20h30 MACACO FEIO... MACACO BONITO... | O SACI

 

24.04 | SÁBADO

 

SALA CINEMATECA BNDES

 

16h30 DAMAS DO PRAZER

18h30 JUVENTUDE SEM AMANHÃ

20h30 OS DESCLASSIFICADOS

 

25.04 | DOMINGO

 

SALA CINEMATECA BNDES

 

16h30 MACACO FEIO... MACACO BONITO | O SACI | ENCONTRO COM RODOLFO NANNI

19h30 É SIMONAL

 

27.04 | TERÇA
 
SALA CINEMATECA BNDES
 
19h30 PREÇO DE UM DESEJO
 

28.04 | QUARTA

 

SALA CINEMATECA BNDES

 

18h30 CAVEIRA MY FRIEND

20h30 VIAGEM AO FIM DO MUNDO

 

29.04 | QUINTA

 

SALA CINEMATECA BNDES

 

18h30 A GRANDE FEIRA

20h30 PREÇO DE UM DESEJO 

 

30.04 | SEXTA

 

SALA CINEMATECA BNDES

 

20h00 GREGÓRIO 38 | ENCONTRO COM ALEX PRADO 

 

01.05 | SÁBADO

 

SALA CINEMATECA BNDES

 

16h30 GREGÓRIO 38

18h30 VIAGEM AO FIM DO MUNDO

20h30 CAVEIRA MY FRIEND

 

02.05 | DOMINGO

 

SALA CINEMATECA BNDES

 

16h30 A GRANDE FEIRA

18h30 PREÇO DE UM DESEJO | ENCONTRO COM ALOISIO T. DE CARVALHO

 

 

 

FICHAS TÉCNICAS E SINOPSES

 

UMA AVENTURA AOS 40

de Silveira Sampaio

Rio de Janeiro, 1947, 35mm, pb, 77’

Flávio Cordeiro, Silveira Sampaio, Nilza Soutin, Ana Lucia

Durante um programa de televisão, famoso psiquiatra revela episódios não-oficiais de sua vida: as diabruras da infância, a ascensão casual na profissão, o casamento por conveniência e sua maior aventura, um caso de adultério com uma bela jovem. Enquanto isso, o interlocutor do programa, contrariado, insiste em rememorar a face politicamente correta de sua trajetória. Comédia de costumes, paródia de ficção científica, cuja ação se desenrola no longínquo ano de 1975. Ator, dramaturgo, comentarista político, diretor de cinema e teatro, Silveira Sampaio apontou novos rumos para a produção satírica brasileira, tanto no jornalismo quanto nas artes. Em meados dos anos 50, envolveu-se com a recém-criada televisão, tornando-se um pioneiro dos chamados “talk shows”.

ccbb sp – sex 30 15h00 | dom 02 19h30

 

BONITINHA, MAS ORDINÁRIA

de J. P. de Carvalho

Rio de Janeiro, 1963, 35mm, pb, 100’

Jece Valadão, Lia Rossi, Odete Lara, Ambrósio Fregolente

Moça de boa família lê num jornal uma notícia espetacular: a curra sofrida por uma empregada doméstica. Obcecada com o fato, ela pede ao cunhado, seu amante, que a faça vítima de idêntico ultraje. Quando parentes descobrem seu plano, tentam a todo custo lhe arranjar um casamento. Sexo, perversão, amor, culpa e violência – ingredientes dos melodramas e folhetins de Nelson Rodrigues – irrompem nesta primorosa adaptação da peça teatral para as telas. Depois do sucesso de Boca de Ouro nos cinemas, no qual intepretou o papel principal, e se valendo do êxito de Bonitinha, mas ordinária nos palcos cariocas, Jece Valadão volta ao universo ficcional de Nelson Rodrigues, agora como produtor, ator e roteirista, para arrebatar mais uma vez o grande público. No elenco, nomes de peso como Odete Lara e Ambrósio Fregolente – ator que mais intrepretou personagens de Nelson Rodrigues no cinema e no teatro. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – sex 07 19h30 | dom 09 17h00

cinemateca – sex 23 18h30

 

CALA A BOCA ETELVINA

de Eurides Ramos

Rio de Janeiro, 1958, 35mm, pb, 102’

Dercy Gonçalves, Humberto Catalano, Manuel Vieira, Paulo Goulart

Etelvina é empregada de um jovem casal que passa por problemas financeiros. Cansada da situação, a esposa resolve voltar para a casa da mãe. Contudo, o marido recebe a visita do tio, um rico criador de jacarés, que preza a unidade familiar e é sua esperança de melhoria. Mas o tio confunde Etelvina com a mulher do sobrinho, criando as maiores confusões. Chanchada com produção da Cinedistri, entremeada por números musicais com Emilinha Borba, Nelson Gonçalves, Jackson do Pandeiro, The Golden Boys, entre outros. O filme retoma o universo popular do teatro de revista e das comédias ligeiras, gêneros de espetáculo onde Dercy Gonçalves exerceu sua genialidade de comediante nas décadas de 30 e 40. O sucesso de Cala a boca Etelvina nos cinemas reuniria novamente a atriz e o diretor Eurides Ramos em outra comédia – Minervina vem aí – também baseada em peça de Armando Gonzaga. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – qui 22 17h00 | sáb 24 19h30 

 

CAVEIRA MY FRIEND

de Álvaro Guimarães

Salvador, 1970, 35mm, pb, 84’

Manoel da Costa, Maria da Conceição Senna, Gó Muniz, Sônia Dias

A exemplo de filmes como Meteorango Kid, o herói intergalático, de André Luiz Oliveira, expressão da vanguarda cinematográfica baiana dos anos 70, Caveira my friend radicaliza o discurso fílmico por meio de uma linguagem fragmentada, livre de amarras ideológicas, que joga luz sobre a forma cinematográfica. Com trilha sonora dos Novos Baianos, apresenta uma narrativa rarefeita em que um grupo de assaltantes, liderados por Caveira, comete crimes pela cidade. Figura atuante, Álvaro Guimarães escreveu crítica teatral e dirigiu montagens de Dias Gomes e Nelson Rodrigues. No cinema, foi assistente de Glauber Rocha em Barravento e de Walter Lima Jr. em Menino de engenho. Além de Caveira my friend, realizou em 1960 o curta Moleques de rua, montado por Caetano Veloso. Cópia restaurada pela Cinemateca Brasileira.

ccbb sp – qui 13 15h00 | sáb 15 17h00 e 00h00

cinemateca – qua 28 18h30 | sáb 01 20h30

 

DAMAS DO PRAZER

de Antonio Meliande

São Paulo, 1979, 35mm, cor, 82’
Irene Stefânia, Bárbara Fazio, Paulo Hesse, Nicole Puzzi

Os desejos e contradições de um grupo de prostitutas, formado por novatas e veteranas, diante da dura realidade do mercado do sexo na Boca do Lixo, em São Paulo. Segundo filme de Antonio Meliande, um dos maiores fotógrafos do cinema brasileiro. Com roteiro de Ody Fraga, “o pornógrafo dos pornógrafos”, e inspirado em Nana, romance de Émile Zola, Damas do prazer conta com desempenhos magistrais das atrizes Irene Stefânia e Bárbara Fazio. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – qui 06 15h00 | sáb 08 17h00 | dom 09 19h30

cinemateca – sáb 24 16h30

 

OS DESCLASSIFICADOS

de Clery Cunha

São Paulo, 1972, 35mm, cor, 92’

Darcy Silva, Joana Fomm, Hélio Souto, Jesse James

Playboy deseja sexualmente a madrasta, amante de um gerente de banco. Para se vingar do adultério, ele planeja um assalto à agência onde o homem trabalha. Mas o crime fracassa, os bandidos fogem e se escondem num quarto, onde a situação fica cada vez mais tensa, diante da iminente chegada da polícia. Filme policial rodado na Boca do Lixo, Os desclassificados baseou-se na história verídica de um jovem de alta classe que para obter as mais prazerosas sensações, arquitetou o roubo de um carro forte no início dos anos 70. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – qua 05 17h00 | sex 07 15h00

cinemateca – sáb 24 20h30

 

E A PAZ VOLTA A REINAR

de Yoshisuke Sato

São Paulo, 1955, 35mm, pb, 71’

Dem Obinata, Verena Stalder, Yassuo Otani, Lea Pellegrini

Imigrante japonês, noivo da filha de um fazendeiro brasileiro, envolve-se com a crescente tensão de compatriotas que não querem acreditar na derrota do Japão na Segunda Guerra. Enquanto isso, um grupo de estelionatários procura tirar proveito da situação, vendendo yens desvalorizados. Filme raro, que joga luz sobre um capítulo obscuro da história da colônia japonesa no Brasil – o surgimento da organização secreta Shindo Renmei no interior paulista. Alegando que a notícia da derrota do exército japonês na guerra era fruto de propaganda dos países aliados, a Shindo Renmei promoveu, entre 1946 e 1947, uma “limpeza ideológica” na colônia, declarando guerra aos derrotistas, apelidados de “corações sujos”. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – qui 22 19h30 | dom 25 15h00

 

É SIMONAL

de Domingos Oliveira

Rio de Janeiro, 1970, 35mm, cor, 95’

Wilson Simonal, Irene Stefânia, Irma Alvarez, Oduvaldo Viana Filho

Fã do cantor Simonal viaja para o Rio de Janeiro esperando encontrar seu ídolo. Passando-se por jornalista, consegue se aproximar dele durante um ensaio. Insólita comédia musical embalada pelo sucesso de Wilson Simonal nos anos 70. Reúne imagens antológicas do artista em shows na boate Sucata e no Maracanãzinho, onde regeu um coro extasiado de 35 mil pessoas – parte delas foram usadas no documentário Simonal – ninguém sabe o duro que dei (2009). No elenco, nomes como Jorge Dória, Maria Gladys, Marília Pêra e Ziembinsky. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – qui 29 17h00 | qui 06 19h30 | sáb 08 15h00

cinemateca – dom 25 19h30

 

A FILHA DO ADVOGADO

de Jota Soares

Recife, 1926, 35mm, pb, 79’ | Silencioso

Jota Soares, Guiomar Teixeira, Euclides Jardim, Noberto Teixeira

Antes de partir para a Europa, advogado revela segredo a um amigo jornalista – tem uma filha fora do casamento, que vive com a mãe numa fazenda – e pede a ele que traga as duas para Recife. Na cidade, o jornalista e a moça começam um discreto namoro, logo atrapalhado pela aparição do filho legítimo do advogado, um jovem farrista e mulherengo. Na década de 20, um grupo de amantes do cinema em Recife realizou uma série de filmes pioneiros que até hoje servem como referência da produção brasileira do período. A filha do advogado é uma de suas mais bem sucedidas produções. Realizado pela Aurora Filme, fez notável carreira comercial pelas salas do Rio de Janeiro na década de 20. Cópia restaurada pela Cinemateca Brasileira.

ccbb sp – sex 23 17h00 | dom 25 19h30

 

A GRANDE FEIRA

de Roberto Pires

Salvador, 1961, 35mm, pb, 94’

Geraldo D'El Rey, Luiza Maranhão, Helena Ignez, Antonio Luis Sampaio

Feirantes de Água dos Meninos, em Salvador, são ameaçados de despejo por um empresa imobiliária e lutam para não perder o terreno. A partir deste acontecimento, uma série de histórias se entrelaçam envolvendo a personagem Maria da Feira. Ao lado de cineastas como Glauber Rocha e Luiz Paulino dos Santos, Roberto Pires é personalidade fundamental para a história do cinema baiano. Inventor e mestre da narrativa, foi um exímio cultor do thriller policial. Pioneiro, Pires rodou ainda o primeiro longa-metragem baiano, Redenção de 1958.

ccbb sp – qua 12 15h00 | sex 14 17h00 | dom 16 19h30

cinemateca – qui 29 18h30 | dom 02 16h30

 

GREGÓRIO 38

de Alex Prado

São Paulo, 1969, 35mm, pb, 88’

Alex Prado, Gran-Dini, Rosana Mondin, Bruzone Dantas
Depois de trabalhar e juntar dinheiro para saldar as dívidas da família, jovem retorna para o sítio dos pais e encontra todos os seus parentes mortos. Descobre que foram assassinados por jagunços chefiados por Gregório, um temido pistoleiro. O herói então decide perseguir implacavelmente os facínoras. Como muitos colegas de geração, Rubens Prado aprendeu a fazer e produzir filmes sem respaldos oficiais, no dia-a-dia dos sets de filmagem. Ao lado dos inúmeros artistas e técnicos que deram corpo e vida ao cinema da Boca, dirigiu alguns dos maiores clássicos do western feijoada. Inspirado por filmes como Da terra nasce o ódio (1954), A lei do sertão (1956) e Homens sem paz (1957), Rubens Prado tomou por cenário a cidade de Guararema, no interior paulista, para as filmagens de Gregório 38, seu primeiro bangue-bangue. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – qua 13 19h30 | sáb 15 15h00 e 22h00

cinemateca – sex 30 20h00 | sáb 01 16h30

 

JUVENTUDE SEM AMANHÃ

de Elzevir Pereira da Silva e João Cézar Galvão

Rio de Janeiro, 1959, 35mm, pb, 75’

Charles Florentino, Celme Silva, Humberto Heitor, Iracema Vitória

“A verdade sobre os cafajestes!”; “A curra dos playboys, em audaciosas sequências filmadas em ritmo alucinante, que porá seus nervos em polvorosa!” prometem os anúncios publicados nos jornais da época. O lançamento de Juventude sem amanhã foi precedido de inúmeros escândalos, incluindo o suicídio de um de seus diretores, Elzevir Pereira da Silva, que, no dizer de um jornalista da época, havia sido “morto pela imprensa marrom”. O filme retrata as práticas criminosas de um grupo de jovens delinqüentes – a juventude transviada – em Copacabana. Baseado em fatos verídicos, acompanha a trajetória de um rapaz que, vítima de uma infância miserável, é atraído pelo fantástico mundo do crime. Juventude sem amanhã capta diversos aspectos do submundo da noite carioca – os inferninhos de Copacabana, a prostituição, o tráfico de drogas e as terríveis curras. Assistência de direção de Leon Hirszman. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp –  qui 06 17h00 | sáb 08 19h30

cinemateca – sáb 24 18h30

 

LILIAN M: RELATÓRIO CONFIDENCIAL

de Carlos Reichenbach

São Paulo, 1975, 35mm, cor, 120

Célia Olga Benvenutti, Benjamin Cattan, Edward Freund, Lee Bujyja

Seduzida por um mascate, jovem abandona o marido lavrador e os filhos para ganhar a vida em São Paulo. Um acidente de carro faz com que ela siga sozinha para a capital, onde assume outro nome – Lilian – e se torna amante de um industrial e de seu filho. O triângulo amoroso termina em tragédia e ela se envolve com outro homem poderoso, mas é novamente abandonada. A sós, Lilian é levada para a baixa prostituição pelas mãos de um marginal. Após três anos dedicando-se ao filme publicitário, Reichenbach radicaliza sua volta ao cinema, realizando uma obra à frente de seu tempo, e com influências do cinema de  Shohei Imamura. Produzido com as sucatas de cenários da extinta Jota Filmes, Lilian M. faz uma súmula da visão cinematográfica de seu diretor. Destaque para a participação especial do produtor e programador de cinema Bernardo Vorobow, recentemente falecido. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – qua 28 17h00 | sex 30 19h30

 

MACACO FEIO... MACACO BONITO...

de Luiz Seel

Rio de Janeiro, 1929, 16mm, pb, 5’ | Exibição em 35mm

Inspirado pelo estilo dos irmãos norte-americanos Max e David Fleischer, fundadores da Fleischer Studios, companhia produtora que lançou nas telas personagens famosos como a sedutora Betty Boop e o marinheiro Popeye, Macaco feio... macaco bonito... é um dos filmes pioneiros do cinema de animação no Brasil. Esquete cômico, tem como personagem um macaco que provoca as maiores confusões depois que foge de um Jardim Zoológico. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – dom  09 15h00

cinemateca – sex 23 20h30 | dom 25 16h30

 

O MATADOR PROFISSIONAL

de Jece Valadão

Rio de Janeiro, 1969, 35mm, cor, 80’

Jece Valadão, Darlene Glória, Fábio Sabag, Carlos Eduardo Dolabella

Matador é contratado por uma quadrilha para dar cabo de um figurão que atrapalha os planos do grupo. Recebe a primeira parte do pagamento e a gangue lhe assegura que a outra será paga depois do assassinato. O crime é consumado, mas os criminosos não cumprem o acordo e o matador parte em busca de vingança. Em sua caçada, não poupará ninguém, até mesmo a bela mulher que lhe jurou um falso amor. Produzido, dirigido e protagonizado por Jece Valadão, O matador profissional conta com trilha sonora original composta pelo grande maestro, pianista e cantor Erlon Chaves. Neste filme, Valadão constrói seu personagem a partir do policial interpretado por Alain Delon em O samurai (1967), dirigido pelo francês Jean-Pierre Melville. Fotografia de Hélio Silva. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – qui 29 15h00 | sáb 01 19h30

 

MATAR OU CORRER

de Carlos Manga

Rio de Janeiro, 1954, 35mm, pb, 100’

Oscarito, Grande Otelo, José Lewgoy, Renato Restier

Dois forasteiros chegam à cidade de Matagorda, no Velho Oeste, lugar dominado por um temido bandoleiro. Durante uma briga num saloon, acabam nocauteando, por acidente, o criminoso. Em gratidão a este ato heróico, os cidadãos de Matagorda nomeiam um deles como xerife da cidade. No entanto, as coisas se complicam quando o bandoleiro foge da prisão, sedento por vingança. Paródia do faroeste americano Matar ou morrer (1952), de Fred Zinnemann, Matar ou correr é o último filme com a dupla Oscarito e Grande Otelo.

ccbb sp – sex 23 15h00

 

A MULHER DE TODOS

de Rogério Sganzerla

São Paulo, 1969, 35mm, pb/cor, 80’

Helena Ignez, Jô Soares, Paulo Villaça, Renato Correa de Castro

As aventuras eróticas, e em “sexycolor”, da vampiresca Angela Carne Osso. Depois de largar um amante, a bela ninfômana segue para o litoral e, na exótica Ilha dos Prazeres, tira prazer de inúmeros homens. Seu marido, um magnata das histórias em quadrinhos, decide investigar seus passos e contrata um detetive particular. Depois do escândalo de O bandido da luz vermelha, Rogério Sganzerla volta a desconcertar crítica e público com esta anárquica comédia pornográfica. Tomando como referência a chanchada, Helena Ignez realiza em A mulher de todos um trabalho de interpretação sem precedentes na história do cinema brasileiro. Uma nova cópia 35mm do filme, com as viragens originais, foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – qua 21 17h00 | sáb 24 15h00 | dom 25 17h00

 

NA SENDA DO CRIME

de Flaminio Bollini Cerri

São Paulo, 1954, 35mm, pb, 71’

Miro Cerni, Cleide Yáconis, Silvia Fernanda, Renato Consorte

Acostumado a regalias e luxo, rapaz tenta encontrar um modo fácil de ganhar fortuna. Com a ajuda de uma quadrilha, planeja um assalto a uma grã-fina. Policial produzido pela Vera Cruz já em sua fase crepuscular. Nascido em Milão, Flaminio Bollini Cerri foi assistente de direção de Luchino Visconti. Veio a São Paulo ainda muito jovem para trabalhar no Teatro Brasileiro de Comédia, onde assumiu o posto de encenador. No TBC, dirigiu espetáculos fundamentais para a cena teatral paulista, como Ralé, de Maximo Gorki. Além disso, foi também responsável pela primeira encenação profissional de Bertolt Brecht no Brasil, com a montagem de A alma boa de Set-Suan pelo Teatro Maria Della Costa. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – qui 22 15h00 | sex 23 19h30

 

NEM SANSÃO NEM DALILA

de Carlos Manga

Rio de Janeiro, 1954, 35mm, pb, 90’

Oscarito, Fada Santoro, Cyll Farney, Eliana

Através de uma máquina do tempo, barbeiro é transportado para outra época – vai parar no Reino de Gaza, anos antes de Cristo. Valendo-se de uma peruca mágica, que lhe dá poderes descomunais, torna-se um temido ditador. A partir daí, tem de lidar com as manobras de poder dos políticos locais que procuram, por meio da sedutora Dalila, arrancar-lhe as forças. Paródia do drama bíblico de Cecil B. DeMille, Nem Sansão nem Dalila é uma comédia debochada, repleta de ironia e sátira ao governo Vargas. Contém uma das cenas mais antológicas de toda a história do cinema brasileiro – Oscarito imitando os trejeitos do então presidente. Fato curioso é que o épico de DeMille foi também alvo de outra paródia nos anos 50, Lo que le Pasó a Sanson, do mexicano Gilberto Martinez Solares.

ccbb sp – qua 28 15h00 | sex 30 17h00

 

NINFAS DIABÓLICAS

de John Doo

São Paulo, 1978, 35mm, cor, 85’

Sérgio Hingst, Aldine Müller, Patrícia Scalvi, Ewerton de Castro

Pai de família respeitável é assediado por duas jovens estudantes quando segue em viagem de negócios para o litoral. Depois de pedir carona, elas o seduzem e o levam até uma praia deserta onde, inesperadamente, fatos estranhos e perturbadores começam a acontecer. Bruxaria, suspense, demonismo, horror e fortes doses de erotismo marcam a estreia de John Doo na direção de cinema. O sucesso de bilheteria de Ninfas diabólicas impulsionou a carreira do cineasta na Boca, estimulando-o a escrever novos roteiros com temas fantásticos. O filme conta com fotografia de Ozualdo Candeias e música original do maestro tropicalista Rogério Duprat. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – sáb 01 15h00 | dom 02 17h00

 

O PAGADOR DE PROMESSAS

de Anselmo Duarte

São Paulo, 1962, 35mm, pb, 96’

Leonardo Villar, Glória Menezes, Dionísio Azevedo, Geraldo d'el Rey

Camponês tenta cumprir promessa feita num terreiro de candomblé – carregar uma cruz, de sua cidade até Salvador, e colocá-la na Igreja de Santa Bárbara, em troca da cura de seu burro. Chegando à igreja, no entanto, o pobre se depara com a resistência de um padre, que o acusa de blasfêmia. Um dos filmes mais premiados da história do cinema brasileiro, ganhou em 1962 a Palma de Ouro no Festival de Cannes, feito inédito até os dias de hoje, e foi indicado ao Oscar de Melhor filme estrangeiro em 1963. Adaptação da peça de Dias Gomes.

ccbb sp – qua 12 17h00 | sex 14 19h30 | dom 16 15h00

 

PERFUME DE GARDÊNIA

de Guilherme de Almeida Prado

São Paulo, 1992, 35mm, cor, 118’

Christiane Torloni, José Mayer, Walter Queiroz, Cláudio Marzo

Dona de casa é convidada a fazer uma ponta num filme que está sendo rodado em seu bairro. Fascinada com o espetáculo do cinema, e querendo largar a condição servil de esposa, ela abandona a família para se tornar uma verdadeira estrela da Boca do Lixo. Sua decisão, no entanto, vai lhe custar a diabólica vingança do marido. Perfume de gardênia foi rodado num momento crítico para o cinema brasileiro – logo após o desmanche do mercado pelo governo Collor. Com o fim da experiência industrial da Boca, e das pornochanchadas, Guilherme de Almeida Prado tocava num assunto tabu para realizadores e produtores brasileiros – a possibilidade de uma nova dramaturgia popular, baseada agora na leitura original das telenovelas e do teatro de Nelson Rodrigues, Plínio Marcos e Jorge Andrade.

ccbb sp – qua 05 15h00 | sex 07 17h00

cinemateca – qui 22 19h30

 

PREÇO DE UM DESEJO

de Aloisio T. de Carvalho

Rio de Janeiro, 1952, 35mm, pb, 90’
Angela
Fernandes, Carlos Cotrim, Nélia Paula, Ambrósio Fregolente

Melodrama criminal sobre uma jovem que cai nas garras da prostituição depois de ser expulsa de casa. Estreia de Aloisio T. de Carvalho na direção, recebeu elogios do então exigente crítico da revista ilustrada O Cruzeiro, Pedro Lima, primeiro jornalista a se dedicar a uma reflexão ordenada sobre as dificuldades econômicas e técnicas do cinema brasileiro. Além de Preço de um desejo, Aloisio T. de Carvalho dirigiu comédias de sucesso, como Maluco por mulher (1957) e O batedor de carteiras (1958), que lançaram ao estrelato o comediante Zé Trindade. Uma nova cópia 35mm do filme foi confeccionada para a mostra.

ccbb sp – qui 13 17h00 | sáb 15 19h30

cinemateca – qui 29 20h30 | dom 02 18h30

 

O SACI

de Rodolfo Nanni

São Paulo, 1953, 35mm, pb, 65’
Paulo
Matozinho, Lívio Nanni, Aristéia Paula Souza, Olga Maria

Adaptação da obra de Monteiro Lobato para as telas, narra as aventuras de Pedrinho, Emília e Narizinho, personagens do clássico Sítio do Picapau amarelo, às voltas com as criaturas fantásticas da mata. Para resolver os mistérios que assombram o sítio, os inseperáveis amigos embrenham-se na floresta à procura do Saci. Uma das primeiras e mais bem-sucedidas produções brasileiras voltadas para o público infantil, O Saci contou com elenco de atores iniciantes e com profissionais em início de carreira, como Nelson Pereira dos Santos, assistente de direção do filme. Artista singular na história do cinema brasileiro, Rodolfo Nanni percorreu o difícil caminho da produção independente em busca de formas para expressar seu talento artístico.

ccbb sp – dom  09 15h00

cinemateca –sex 23 20h30 | dom  25 16h30

 

TERRA EM TRANSE

de Glauber Rocha

Rio de Janeiro, 1967, 35mm, pb, 107’

Jardel Filho, Paulo Autran, José Lewgoy, Glauce Rocha

Em Eldorado, país imaginário dos trópicos, um poeta agoniza em meio às diferentes forças políticas que disputam o poder. Uma das mais contundentes respostas artísticas ao golpe militar de 1964, Terra em transe é uma vigorosa e visionária alegoria política sobre o Brasil e a América Latina dos anos 60. Obra-prima de Glauber Rocha, responsável pela consagração internacional do cineasta, inaugurou um debate sobre o populismo no país e foi o ponto de partida para o Tropicalismo.

ccbb sp – dom 02 15h00

 

VIAGEM AO FIM DO MUNDO

de Fernando Cony Campos

Rio de Janeiro, 1968, 35mm, pb, 95’

Karin Rodrigues, Silvio Porchat, Anik Malvil, Jofre Soares

Imagens de arquivo, canções tropicalistas, ícones do consumo, cenas de guerra, fome e romarias religiosas, Machado de Assis, contracultura, narração fragmentada e anarquia de linguagem fazem de Viagem ao fim do mundo uma obra de invenção, um legítimo representante da vanguarda cinematográfica brasileira dos anos 60. Diversas personagens embarcam num avião – um rapaz que lê as Memórias póstumas de Brás Cubas, uma garota propaganda, freiras, um sertanejo com alucinações eróticas, o dirigente de um time de futebol etc – para uma inusitada viagem. Seus sonhos, delírios e reflexões formam o enredo do filme.

ccbb sp – qua 12 19h30 | sex 14 15h00 | dom 16 17h00

cinemateca – qua 28 20h30 | sáb 01 18h30

 

ENCONTROS

 

ALEX PRADO é responsável por uma das mais ousadas filmografias da chamada Boca do Lixo. Dirigiu westerns, aventuras, dramas, policiais, thrillers eróticos e filmes pornográficos. Já com sua primeira produção, Gregório 38,  alcançou sucesso nos cinemas da capital e do interior. Sua filmografia inclui, dentre outros, Experiências sexuais de um cavalo (1985), Sexo erótico na Ilha do Gavião (1986) e Perseguidores insaciáveis (1988). No final dos anos 80, com a desestruturação completa da Boca do Lixo, continuou a produzir filmes de maneira independente, em São Bernardo do Campo. Em 2009, finalizou o longa O Maníaco do Parque, produção iniciada em 2002, sobre o famoso caso policial ocorrido em São Paulo.

 

ALOISIO T. DE CARVALHO começou a trabalhar com cinema na década de 1940, nos laboratórios da Tupi Filmes, produtora especializada em cinejornais, experiência profissional que lhe permitiu conhecer diversos aspectos da produção cinematográfica. Tempos depois, já no Rio de Janeiro, trabalha como assistente de produção e direção do inacabado Jangada, de Raul Roulien, e firma parceria com o fotógrafo e produtor George Dusek, tornando-se roteirista de seu filme Noivas do mal. Logo após a estreia na direção com Preço de um desejo (1952), é contratado pelo produtor e compositor Ronaldo Lupo para dirigir as comédias Genival é de morte (1956), Tem boi na linha! (1957) e Hoje o galo sou eu (1957), protagonizadas pelo artista. Dirige Maluco por mulher, que lança ao estrelato o comediante Zé Trindade. Nos anos 60, produz e dirige Capital do samba, documentário sobre a noite carioca, e Senhor dos navegantes (1962-1964), drama de conteúdo social, filmado em cores na capital baiana.

 

CARLOS REICHENBACH veio morar em São Paulo com um ano de idade. Cursou a Escola Superior de Cinema São Luiz, onde foi aluno de Luis Sérgio Person, que o impulsionou a fazer filmes. Com João Callegaro e Antônio Lima, estreou no longa-metragem com os filmes de episódios As libertinas (1968) e Audácia, a fúria dos desejos (1969). Dirigiu e fotografou mais de 150 comerciais e filmes institucionais entre 1971 e 1974. Diretor, fotógrafo e roteirista, transformou a precariedade de recursos e os obstáculos impostos pela ditadura militar em desafios, construindo uma das cinematografias mais versáteis do cinema brasileiro. Falsa loura (2007) é seu filme mais recente.

 

CLERY CUNHA mudou-se para São Paulo logo após cumprir os estudos secundários. Aficcionado por quadrinhos, seu gosto pelo cinema nasceu ainda na infância, quando assistia a seriados policiais, faroestes e filmes de aventura. Dirigiu seu primeiro filme, o policial Os desclassificados, em 1972. Um ano depois, lança A pequena órfã, melodrama baseado em telenovela produzida pela TV Excelsior. Entre os filmes que dirigiu, destacam-se Joelma 23º andar (1980), marco da indústria cinematográfica paulista, drama sobre o trágico incêndio que assombrou a capital paulista, e O Rei da Boca (1982), clássico da filmografia do diretor, sobre a ascensão e queda de um gigolô. Atualmente, Clery Cunha trabalha no roteiro do filme policial Tiradentes City, Zona Leste SP, com argumento do jornalista Marcelo Coelho.

 

GUILHERME DE ALMEIDA PRADO fez suas primeiras tentativas no cinema com uma câmera Super-8. Depois de trabalhar na Boca ao lado de mestres como Ody Fraga, estreia no longa-metragem com As taras de todos nós (1981). Tempos depois, funda a produtora Star Filmes e dirige Flor do desejo (1983). Em 1988, lança A dama do cine Shanghai, clássico de sua filmografia, com o qual ganha inúmeros prêmios. Volta ao universo da Boca do Lixo e do cinema noir em Perfume de gardênia (1992). Seu último filme é Onde andará Dulce Veiga? (2007), baseado em livro do escritor Caio Fernando Abreu.

 

HELENA IGNEZ é uma das principais atrizes do cinema moderno brasileiro. Estreia no cinema em 1959 com Pátio, de Glauber Rocha. Em 1962, atua no policial Assalto ao trem pagador, de Roberto Farias. Durante a ebulição cultural dos anos 60, estrela O padre e a moça, de Joaquim Pedro de Andrade, Cara a cara, de Júlio Bressane, O bandido da luz vermelha, e A mulher de todos, ambos de Rogério Sganzerla. Ao lado de Sganzerla e Bressane, funda em 1970 a produtora Belair, uma das mais radicais experiências do cinema experimental brasileiro. Assumindo a direção, Helena Ignez acaba de concluir o longa Luz nas trevas – a revolta de Luz Vermelha, estrelado por Ney Matogrosso. Atualmente, dedica-se também a recuperar e difundir a obra de Rogério Sganzerla.

 

PATRÍCIA SCALVI iniciou sua carreira como atriz na Boca do Lixo, em filme produzido por Antônio Polo Galante. Atuou em inúmeras comédias eróticas, chegando a trabalhar, durante a década de 70 e início dos anos 80, com os principais nomes do cinema da Boca – Jean Garret, Fauzi Mansur, Ody Fraga, John Doo, Cláudio Cunha, Antônio Meliande, José Miziara, Luiz Castillini, Alfredo Sternheim, entre outros. Atriz versátil, de grande talento dramático, atuou também em filmes de Walter Hugo Khouri, e em Amor, palavra prostituta (1981), de Carlos Reichenbach. Patrícia Scalvi tem também reconhecida carreira como dubladora.

 

MAX DE CASTRO é guitarrista, compositor e cantor. Lançou seu primeiro disco, Samba raro, em 2000, pelo qual recebeu o prêmio APCA –Associação Paulista de Críticos de Arte. WILSON SIMONINHA é músico, produtor e cantor. Trabalhou com artistas consagrados como Jorge Ben Jor e Jair Rodrigues e como produtor dos festivais Hollywood Rock e Free Jazz. Lançou seu primeiro álbum, Volume 2, também em 2000. Wilson Simoninha e Max de Castro são filhos do cantor Wilson Simonal.

 

RODOLFO NANNI diretor, roterista e produtor, inaugurou o cinema infantil no Brasil ao dirigir, em 1953, O saci, ficção inspirada na obra de Monteiro Lobato. Morou em Paris no final dos anos 1940, onde estudou pintura e cursou cinema no famoso Idhec. De volta ao Brasil, funda com Ruy Santos (1916-1989) uma produtora de documentários. Como diretor, assinou ainda o drama Cordélia, Cordélia... (1971), que conta com memorável desempenho da atriz Lilian Lemmertz, e o documentário, filmado no nordeste, O drama das secas (1958) – assunto e cenário que seriam retomados por ele em 2008, no filme O retorno.

 

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