ínicio

Programação

CINEMA MARGINAL BRASILEIRO

05 de junho a 13 de dezembro de 2009 

     Memória e invenção. Poesia e experimentação. Revolução e escracho. O cinema brasileiro dos anos 1960 e 1970 viveu uma época efervescente. Muitos dos filmes que surgiram neste período, radicalizando a linguagem cinematográfica, passaram a ser designados pelo rótulo “Cinema Marginal” – termo, entretanto, visto com desconfiança e até desprezo pela maioria dos realizadores desses filmes. O conjunto dessa produção heterogênea poderia também ser designado por Cinema Experimental, Cinema Poesia, Cinema Underground, Udigrúdi ou Cinema de Invenção, termos que soam bem melhor aos ouvidos destes cineastas, que em sua maioria continuaram a realizar filmes admiráveis, mesmo após os tempos sombrios da ditadura. No entanto, o assim chamado Cinema Marginal é inegavelmente um marco histórico do cinema nacional e merece ser recuperado e revisitado, levando em conta as críticas que se fazem a essa definição. Em julho, a Cinemateca Brasileira, em parceria com a Heco Produções, dá continuidade à ampla retrospectiva desta parcela instigante da produção cinematográfica brasileira, que se estenderá até o final do ano, em sessões às sextas-feiras, às 21h00, com reprises aos domingos, às 17h00. Com curadoria de Eugênio Puppo, as sessões de CINEMA MARGINAL BRASILEIRO buscam oferecer a oportunidade de ver ou rever estes filmes de guerrilha, alguns feitos há mais de trinta anos, despertando o interesse sobre essa produção – fundamental, sobretudo num contexto como o de hoje, em que o chamado cinema de autor parece estar em extinção. Esta programação coincide com o lançamento do primeiro volume da Coleção Cinema Marginal Brasileiro em DVD, uma iniciativa da Heco Produções e da Lume Filmes que pretende disponibilizar aos consumidores, em edições caprichadas e complementadas por extras, alguns dos mais importantes filmes brasileiros produzidos naquele contexto. 

Não indicado para menores de 16 anos 

CINEMATECA BRASILEIRA

Largo Senador Raul Cardoso, 207

próximo ao Metrô Vila Mariana

Outras informações: (11) 3512-6111 (ramal 215)

www.cinemateca.gov.br 

Taxa de manutenção: R$ 8,00 (inteira) / R$ 4,00 (meia-entrada) / Entrada franca para menores de 12 anos e nas sessões indicadas

Atenção: Estudantes do Ensino Fundamental e Médio de Escolas Públicas têm direito à entrada gratuita mediante a apresentação da carteirinha.  

PROGRAMAÇÃO 

03.07 | SEXTA 

SALA CINEMATECA PETROBRAS 

21h00 CINEMA MARGINAL BRASILEIRO | BLA BLA BLA | HITLER 3º MUNDO  

05.07 | DOMINGO 

SALA CINEMATECA PETROBRAS 

17h00 CINEMA MARGINAL BRASILEIRO | BLA BLA BLA | HITLER 3º MUNDO 

10.07 | SEXTA 

SALA CINEMATECA PETROBRAS 

21h00 CINEMA MARGINAL BRASILEIRO | POR EXEMPLO BUTANTÃ | JARDIM DE GUERRA 

12.07 | DOMINGO 

SALA CINEMATECA PETROBRAS 

17h00 CINEMA MARGINAL BRASILEIRO| POR EXEMPLO BUTANTÃ | JARDIM DE GUERRA 

17.07 | SEXTA 

SALA CINEMATECA PETROBRAS 

21h00 CINEMA MARGINAL BRASILEIRO | ESSA RUA TÃO AUGUSTA | AS LIBERTINAS 

19.07 | DOMINGO 

SALA CINEMATECA PETROBRAS 

17h00 CINEMA MARGINAL BRASILEIRO | ESSA RUA TÃO AUGUSTA | AS LIBERTINAS 

24.07 | SEXTA 

SALA CINEMATECA PETROBRAS 

21h00 CINEMA MARGINAL BRASILEIRO | EU SOU VIDA, EU NÃO SOU MORTE | O DESPERTAR DA BESTA 

26.07 | DOMINGO 

SALA CINEMATECA PETROBRAS 

17h00 CINEMA MARGINAL BRASILEIRO | EU SOU VIDA, EU NÃO SOU MORTE | O DESPERTAR DA BESTA 

31.07 | SEXTA 

SALA CINEMATECA PETROBRAS 

21h00 CINEMA MARGINAL BRASILEIRO | DOCE AMARGO | METEORANGO KID – O HERÓI INTERGALÁTICO 

02.08 | DOMINGO 

SALA CINEMATECA PETROBRAS 

17h00 CINEMA MARGINAL BRASILEIRO | DOCE AMARGO | METEORANGO KID – O HERÓI INTERGALÁTICO 

FICHAS TÉCNICAS E SINOPSES 

PROGRAMA 1

sex 03 21h00 | 05 dom 17h00  

Bla bla bla, de Andrea Tonacci

São Paulo, 1968, 16mm, pb, 26’ | Exibição em DVD

Paulo Gracindo, Nelson Xavier, Irma Alvarez

Um ditador tenta justificar seu programa de governo na televisão. Mas a realidade impõe-se à sua ficção... 

Hitler 3º Mundo, de José Agrippino de Paula  
São Paulo, 1968, 16mm, pb, 90’ | Exibição em DVD

Jô Soares, José Ramalho, Eugênio Kusnet, Luiz Fernando de Rezende

Obra visionária, feita em caráter de urgência, no auge da repressão militar, foi rodada na clandestinidade e suas imagens, vistas hoje, são de uma atualidade aterrorizante. 

PROGRAMA 2

sex 10 21h00 | dom 12 17h00

 

Jardim de guerra, de Neville d’Almeida

Rio de Janeiro, 1968, 35mm, pb, 90’

Joel Barcellos, Maria do Rosário Nascimento Silva, Vera Brahim, Ezequiel Neves

Um jovem amargurado e sem perspectivas apaixona-se por uma cineasta e é injustamente acusado de terrorista por uma organização de direita que o prende, interroga e tortura. 

Por exemplo Butantã, de Roman Stulbach

São Paulo, 1968, 35mm, pb, 8’ | Exibição em DVD 
Ednah, Ulisses Garcia, José Mojica Marins, João Cândido

Uma mistura geral de estilos permeia o filme, com direito até a aparição de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, e infinitas referências à cultura pop. A mocinha do filme acaba sendo picada pela cobra e nesse momento entra o Instituto Butantã. 

PROGRAMA 3

sex 17 21h00 | dom 19 17h00 

As libertinas, de Carlos Reichenbach, Antonio Lima, João Callegaro

São Paulo, 1968, 35mm, pb, 90’

Célia de Assis, Neusa Rocha, Carmem Monteiro, José Ramalho

Filme em 3 episódios. No primeiro, Alice, de Reichenbach, um escritor medíocre divide-se entre a esposa e uma jovem amante. Em Angélica, de Antonio Lima, uma mulher descobre que seu marido tem uma amante. Em Ana, de João Callegaro, marido vigarista usa a esposa para chantagear um homem.  

Essa rua tão Augusta, de Carlos Reichenbach

São Paulo, 1966-1969, 35mm, pb, 11’ | Exibição em DVD

Reichenbach parodia o estilo dos filmes institucionais e se diverte com o ridículo dos fraseados com pretensões poéticas. 

PROGRAMA 4

sex 24 21h00 | dom 26 17h00

 

O despertar da besta, de José Mojica Marins

São Paulo, 1969, 35mm, pb, 91’

José Mojica Marins, Sérgio Hingst, Ozualdo Candeias, Andréa Bryan

Médico especializado em fenômenos paranormais publica livro sobre experiências com Zé do Caixão, onde analisa a face oculta do ser humano liberada sob a influência do LSD. Cópia de exibição confeccionada a partir do negativo restaurado pela Cinemateca Brasileira. 

Eu sou vida, eu não sou morte, de Haroldo Marinho Barbosa

Rio de Janeiro, 1970, 35mm, cor, 14’

José Wilker, Renato Machado, Maria Thereza Medina

Adaptação da peça teatral Qorpo Santo, eu sou vida, eu não sou morte. Não há cenário, além das paredes da locação e as atuações são não-naturalistas e desdramatizadas. O filme lida com a batalha entre os instintos de vida – a liberdade, o amor, as livres associações, a impropriedade – e os de morte – o Direito, a Natureza e a Religião. 

PROGRAMA 5

sex 31 21h00 | dom 02 17h00 

Meteorango Kid – o herói intergalático, de André Luiz Oliveira

Salvador, 1969, 35mm, pb, 85’

Antonio Luiz Martins, Sonia Martins, José Wagner, Carlos Bastos

Com humor e escatologia, o filme apresenta o cotidiano de um revoltado universitário em busca de aventuras. Ilustre exemplar da vertente baiana do cinema marginal. 

Doce amargo, de André Luiz Oliveira e José Umberto

Salvador, 1968, 16mm, pb, 17’ | Exibição em DVD

A jornada real e delirante de um vendedor de pirulitos pelas ruas de Salvador. Entre perambulações solitárias, linchamentos e um amor inventado, ele parte para o ataque e descobre o poder de fogo do seu objeto de trabalho. O filme contido neste DVD é o único registro encontrado da matriz em 16mm.

Cinemateca Brasileira
Largo Senador Raul Cardoso, 207 - Vila Clementino - 04021-070 - São Paulo
(11) 3512-6111 / contato@cinemateca.org.br